Otimismo nos supermercados
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quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
Anne Warth<br> Agência Estado 
São Paulo - O setor de supermercados espera um crescimento entre 4% e 5% nas vendas durante o mês de dezembro na comparação com o mesmo mês de 2005. Em relação ao período do Natal, mais especificamente entre os dias 16 e 24 de dezembro, o presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira, mostra um otimismo ainda maior. ''Nós esperamos que este Natal seja o melhor dos últimos anos, com vendas 12% superiores ao Natal de 2005'', afirmou. De acordo com pesquisa da Abras, 45% dos supermercadistas esperam vendas superiores ao Natal do ano passado e 55% acreditam que o volume será mantido.
Segundo Oliveira, o Natal do ano passado teve um desempenho muito fraco devido ao alto nível de endividamento do consumidor no período. ''Neste ano, acreditamos que a euforia do consumidor esteja maior. Os juros estão mais baixos e devem continuar a cair e o clima após as eleições ajudou a melhorar o ânimo do consumidor. O cenário hoje é mais positivo que em 2005'', opinou.
O dirigente destacou que caso os resultados se confirmem, é possível que o setor reverta o resultado negativo no acumulado do ano até outubro, que apontou queda de 2,16% em relação ao mesmo período do ano passado. ''Precisamos de um Natal positivo para quem sabe reverter essa queda para um número positivo ou pelo menos zerar as vendas'', disse.
Os destaques das vendas nos supermercados devem ser os tradicionais produtos natalinos - aves, bebidas, panetones, frutas e frutas secas -, e, nos hipermercados, os eletrônicos, eletrodomésticos, artigos de bazar e produtos importados também devem despontar na lista dos produtos mais vendidos.
''Este deve ser o Natal dos produtos importados'', previu. Entre os importados, ele citou como produtos que devem atingir bons índices de vendas os alimentícios e bebidas relacionados à data e os mais variados produtos feitos de plástico e vidro - de presentes para casa à cadeiras de praia. Ainda assim, a presença dos importados nas prateleiras dos supermercados brasileiros neste ano deve ser de 2,6%, ante 2,2% em 2005, fatia pequena se comparada a países vizinhos como Chile (25%), Argentina (30%), Colômbia (30%) e Uruguai (50%). ''Isso acontece devido ao protecionismo que alguns setores têm no País, mas esperamos que o índice chegue a 7% nos próximos anos. Quem ganha é o consumidor final.''
O consumidor deve preferir utilizar como formas de pagamento os cartões de crédito dos supermercados e de outras bandeiras, que permitem o parcelamento das compras em até quatro vezes sem juros, e os cheques pré-datados. Segundo Oliveira, durante o ano, as compras a prazo atingiram a média de 53% do total, mas no Natal esse índice deve ficar entre 60 e 65%. A inadimplência em relação aos cheques pré-datados, que devem ser descontados em fevereiro e março, é uma das preocupações do dirigente. ''A média da inadimplência devido aos cheques pré-datados, de 12%, representa mais de R$ 15 bilhões num setor que deve faturar neste ano R$ 115 bilhões. Mas esse é um problema que piora nesta época do ano para todos os setores da economia. Não é algo que atinge somente os supermercados.''


