Agência Estado
De Brasília
O otimismo com relação ao desempenho da economia brasileira está impedindo a queda das taxas de desemprego. Justamente porque as perspectivas de conseguir uma colocação são maiores, mais pessoas que não tinham emprego saem à procura de um. Essa é a constatação feita pelos técnicos da Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Fazenda. No entanto, a continuidade do crescimento da economia permitirá que essas pessoas encontrem um posto de trabalho. Dessa forma, a taxa de desemprego começará a cair entre o segundo semestre deste ano e ao longo de 2001.
A expectativa do secretário de Política Econômica, Edward Amadeo, é de que a taxa de desemprego recue dos atuais 8,17% para algo como 5,5% no final do ano que vem. Com isso, o desemprego voltará aos mesmos níveis de 97 – antes das crises asiática, russa e brasileira que sacudiram a economia mundial nos últimos três anos.
Nos últimos doze meses, a População Economicamente Ativa (PEA), formada pelas pessoas com idade para integrar o mercado de trabalho, tem crescido a uma taxa de 4,1%. Amadeo, porém, acredita que essa tendência não se manterá por muito tempo, pois ela reflete a existência de um estoque de desempregados que não vinham buscando trabalho devido à baixa possibilidade de colocação, aliada ao alto custo de procurar um emprego. ‘‘No mercado de trabalho, as pessoas têm custo para procurar emprego, e esse custo é tão maior quanto maior é o risco não encontrá-lo’’, explicou o secretário.
‘‘Quando o mercado está ruim, esse custo é muito alto.’’ Segundo o secretário, quando o estoque estiver esgotado, o porcentual de crescimento da PEA ficará entre 2% e 2,5%. ‘‘É difícil saber se essa curva vai ser revertida logo, mas o crescimento da PEA não é sustentável por muito tempo’’, disse. Essa foi a taxa de nascimentos registrada 20 anos atrás. Por isso, é quanto deveria estar crescendo a busca por emprego se não houvesse o estoque de desempregados e fosse considerado apenas o crescimento vegetativo da população.
Na avaliação de Amadeo, é para essa taxa que deve convergir o ritmo de crescimento da PEA, à medida em que o estoque for desaparecendo em razão do surgimento de novos postos de trabalho. Por isso, acredita, a tendência é de recuo da taxa de desemprego.
O levantamento feito pela SPE mostra que, desde o início da década, a oferta de novas vagas de emprego cresce na mesma proporção que a PEA. Houve, porém, dois momentos em que houve discrepância entre as duas taxas, com o número de trabalhadores à procura de colocação ficando muito maior do que a oferta de empregos. O primeiro deles foi entre outubro de 95 de julho de 96, quando o sucesso do Plano Real incentivou as pessoas a procurar trabalho. O segundo momento ocorreu logo após a crise da Ásia, em setembro de 97, e se estendeu até janeiro de 99.

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