Otimismo e uma boa sacudida
''A vocação de Londrina é não ter vocação''. A certeza do empresário Raul Fulgêncio se apóia em 33 anos de trabalho no mercado imobiliário da região. ''Há anos que ouço as pessoas reclamando que a cidade foi mal planejada, que falta isso, falta aquilo, mas a verdade é que eu já rodei o mundo e essa cidade é maravilhosa. Londrina dá resposta a tudo que seja bom, honesto e de qualidade'', garante.
Fulgêncio enxerga um espírito de vanguarda em Londrina: ''Aqui não tem feudos, nem panelinhas ou patotinhas. O londrinense gosta de novidade e é um povo crítico, muito exigente. Por isso, o mercado aqui é muito competitivo'', observa. Ele vai na contramão do desânimo de muitos empresários e justifica o otimismo com exemplos de empreendimentos que deram certo nos últimos anos. ''Quando lançaram o Shopping Catuaí, todo mundo disse que aquilo seria um elefante branco; pois o shopping está ampliando. Condomínios de luxo como o Royal Golf tiveram uma aceitação espantosa e temos ainda grandes empresas que vieram para a cidade. Até lojas que foram embora estão de volta''.
Para o imobiliarista, o que falta é auto-estima e ousadia. ''Olha as universidades, Londrina é referência na área de saúde. A cidade inteira está cheia de novas obras, temos uma produção cultural imensa. O que falta são projetos arrojados, criativos e de boa qualidade. Ainda bem que não somos mais a capital mundial do café não tem geada prá acabar com a gente'', brinca.
A opinião do empresário Kentaro Takahara, que trabalha no ramo de consórcios, é parecida. ''Temos que parar de reclamar e buscar novos horizontes. Londrina tem uma estrutura muito boa, a gente tem tudo para dar um salto no desenvolvimento econômico da cidade''. A análise tem o peso de quem comandou o primeiro Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI) do município, na época em que presidiu a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), no início da década de 80.
Nem só indústria, nem só agricultura. Takahara defende a diversificação: ''Não adianta falar em industrialização. Vamos criar pólo de que? E o setor primário de Londrina não tem mais como crescer; só agroindústria também não vai responder às nossas necessidades''. Takahara enxerga o setor de prestação de serviços em educação e saúde como um dos grandes potenciais da cidade. ''Se incorporarmos tecnologia de ponta, que a gente já vem produzindo principalmente nas universidades, vamos retomar o ritmo de crescimento'', garante. ''O que nos falta é confiança, otimismo e uma boa sacudida''.(P.F.)





