Otimismo do empresário tem o menor nível desde agosto de 2012
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O otimismo da indústria, medido pelo Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), caiu 0,7 ponto percentual e chegou a 54,8 pontos em junho, o menor nível desde agosto de 2012. Foi a quarta queda consecutiva do indicador. Em maio, o Icei marcava 55,5 pontos, de acordo com a pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O índice varia de zero a cem pontos. Valores acima de 50 pontos representam otimismo no setor. ''A tendência de queda da confiança do empresário industrial deixa clara a dificuldade de competitividade que a indústria enfrenta no ambiente de negócios e põe em dúvida uma recuperação mais consistente da atividade industrial em 2013'', segundo informações da CNI.
Na comparação com junho do ano passado, quando o indicador registrado foi de 56,1 pontos, houve retração de 1,3 ponto. Sua média histórica é de 59 pontos. O índice de junho, portanto, está bem abaixo desse patamar. O levantamento foi feito entre 3 e 14 de junho com 2.396 empresas de todo o País.
A redução no otimismo da indústria no período foi causada pela expectativa menos positiva em dois dos três segmentos: construção civil e transformação. Já o setor extrativo teve aumento de otimismo.
O índice do setor de transformação caiu de 54,9 pontos para 54,1 pontos no período. Dos 28 segmentos pesquisados, só nove registraram alta no otimismo entre maio e junho. Em relação à construção civil, o índice recuou de 55,4 pontos para 55,2 pontos, de maio para junho. Na indústria extrativa, houve crescimento do otimismo no período, com o Icei passando de 56,4 pontos para 57,5 pontos.
''Quando tem inflação, começa a colocar neblina no horizonte dos empresários'', disse o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher. Segundo ele, com a inflação, as indústrias não conseguem repassar os custos por conta da concorrência internacional. ''A falta de perspectiva de longo prazo para o setor, faz os empresários não realizarem investimentos'', explicou.
Caso o cenário econômico não melhore, ele acredita que este pode ser um ano perdido para a indústria, como ocorreu em 2012. Zurcher criticou os incentivos pontuais que o governo vem oferecendo com redução de impostos para veículos, linha branca e móveis. Segundo ele, seria preciso criar um programa que incentivasse a indústria como um todo. Segundo ele, há tentativas do governo para reduzir a carga tributária, mas o o volume de tributação vem aumentando a cada ano.
O economista e reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins, disse que o otimismo da indústria foi afetado com a redução do consumo das famílias provocada pela inflação e pelo endividamento. Segundo ele, o que pode fazer o otimismo da indústria melhorar é o consumo internacional de países como China e Europa, que começaram a ter um desempenho um pouco melhor.
No ano passado, a indústria paranaense fechou com queda de 4% na produção. Para este ano, Zurcher estima crescimento de 2% a 3%. Em 2012, a produção industrial nacional caiu 2,7% e, segundo ele, a previsão para este ano aponta para um crescimento de 1% a 2%. (Com agências)



