Curitiba - O setor automotivo paranaense deve fechar 2004 com o melhor índice de crescimento da produção desde a consolidação de suas atividades, em 2000. A projeção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que divulgou, ontem, em parceria com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, o desempenho das montadoras este ano, é de que o aumento fique entre 40% e 50%. Em 2003, a indústria automobilística do Paraná produziu 170.967 unidades de automóveis e máquinas agrícolas. De janeiro a agosto deste ano, a produção já atingiu 153.381 unidades, volume 37,06% maior a igual período do ano passado.
Na comparação com agosto do ano passado, a produção das montadoras cresceu 103,71%. A variação mensal (agosto em relação a julho), no entanto, foi negativa (-2,25%). Para o economista do Dieese, Cid Cordeiro, este último resultado não reflete o desempenho das empresas no decorrer do ano e teve como causa uma eventual e pouco expressiva retração no ritmo de produção.
Apesar do crescimento de 21,08% nas exportações, nos oito primeiros meses, segundo Cordeiro, o mercado interno é que foi o grande responsável pelo aumento na produção. O ''ambiente mais otimista da economia'' com uma taxa de juros menor e a recuperação da renda ajudou as pessoas a se aventurarem nas compras a longo prazo, analisou ele.
O aumento na produção de carros de passeio, com variação de 40,17%, de janeiro a agosto, e de comerciais pesados (caminhões e ônibus), com acréscimo de 53,63%, foi o que favoreceu o crescimento do setor este ano. Em 2003, a produção cresceu apenas 2,93%, e em 2002 em relação a 2001, houve queda de 11,37%.
De acordo com Cordeiro, a fabricação de novos modelos, como o Fox, lançado pela Volkswagen-Audi no final do ano passado, é que tem dinamizado, não só a produção, mas também, o nível de emprego do setor, que cresceu 16,77%, com a criação de 1.284 postos de trabalho entre janeiro e agosto. Com esse acréscimo, as montadoras totalizaram, em agosto, 8.939 empregos, obtendo o melhor índice desde 1999.
A Volkswagem-Audi empregou 1,1 mil funcionários com contratos por prazo determinado. Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Jamil Dávila, um acordo com a empresa permitiu que esses empregados tenham os mesmos direitos trabalhistas dos efetivos. O mesmo deve acontecer com os outros 600 trabalhadores que serão contratados até o final do ano para dar conta da produção do novo modelo o Cross Fox. Os contratos serão temporários, mas os direitos, com exceção da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), estarão assegurados, disse o diretor.
A expectativa é de que a Renault que contratou 223 funcionários, entre dezembro de 2003 e agosto deste ano abra novos postos de trabalho com o início da produção do modelo Mégane, a partir de 2005.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, destacou, ainda, que o Paraná fechou um dos melhores acordos salariais da categoria no País, que tem data-base em setembro. Os metalúrgicos conseguiram reajuste de 10,9%, o que representou um aumento real de aproximadamente 4%, além da reposição da inflação. A negociação salarial deve injetar na economia paranaense cerca de R$ 10,3 milhões.

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