Oswaldo Petrin
Oswaldo Petrin
Sem espaço para altas
-O preço à vista do boi gordo teve alta de 0,10% ontem, ficando em R$ 28,68/arroba, um fim de semana estável, portanto. Em dólar, a cotação ficou estável em US$ 24,21. A prazo, o preço ficou estável em R$ 29,65. Os dados são da Esalq/USP. Nos últimos 40 dias o preço do boi acumulou alta de 10%, o que poderia ser considerado normal, se os preços não estivessem em ascendência desde junho.
-Embora os analistas dão como certa a estabilidade do preço nesse patamar sem espaço para novas altas, os preços do boi gordo, no campo, já transparecem no varejo. Nos últimos dias, os supermercados reajustaram, em média, em 4% os preços da carne bovina.
-O setor atacadista da carne aconselha os pecuaristas a não insistir em segurar o boi no pasto, pressionando alta. Há indicadores de que o consumo não absorve impacto superior a 5%. O consumidor está acostumado com economia estável e acusa as oscilações de preços, por menores que sejam. Nos supermercados, alguns cortes chegaram a subir 4,8%.
-Pesquisa do Datafolha, divulgada ontem, mostra que a carne não é o único item a puxar os preços médios dos alimentos, citando o feijão e o arroz. Se a carne pressiona o bolso dos paulistanos - aumento que tradicionalmente ocorre neste período do ano devido à entressafra - o arroz começa a pesar menos. O produto tipo dois, após aumento de 2% na semana anterior, caiu 0,2% nesta. Já o produto de melhor qualidade, que tinha subido 0,92% na semana passada, ficou apenas 0,37% mais caro nesta.
-No caso do arroz, o volume de importações - que deve somar 700 mil toneladas apenas da Ásia e dos Estados Unidos, segundo o analista Romeu Fiod - é o principal inibidor do reajuste do produto. As variações de preços são do Datafolha, que faz pesquisa semanal em 18 supermercados e 18 hipermercados de São Paulo. A pesquisa, que inclui alimentos e produtos de higiene e de limpeza, mostrou queda de 0,19% nos supermercados nesta semana, enquanto nos hipermercados houve alta de 1,08%.
-A queda média nos supermercados se deve à redução de preços das massas
(1,16%), alimentos matinais e artigos de higiene. Já a alta nos
supermercados foi provocada pelo reajuste de preços da carne bovina,
hortifrútis e feijão. O Datafolha fez a tomada de preços de 7.088 itens nesta semana.
-As maiores diferenças de preços de um estabelecimento para outro ficaram para o pão francês (137%), torrada (101%) e iogurte (99%). Os alimentos básicos, na média, tiveram pouca variação de preço na semana. Pesquisa do Datafolha nos supermercados de São Paulo mostrou alta de
0,15%. Batata, óleo de soja, tomate e bisteca de porco, todos com reduções superiores a 5%, lideraram as quedas. Já o feijão (16,67%) e o acém
(4,78%) lideraram as altas.
Café
A semana foi calma e com poucos negócios. A crise mexe com todos os mercados, mas, no caso do café, a apertada situação dos estoques mundiais está dando sustentação aos preços.
Nova York
O café teve pequeno reajuste de preço ontem no mercado externo. Na Bolsa de Nova York, o primeiro contrato foi negociado a 104,65 centavos de dólar
por libra-peso, com alta de 0,63%. Veja abaixo, preços no mercado interno.
Custo
Os preços estão perigosamente se aproximando dos custos de produção,
dizem os técnicos do escritório Carvalhaes, de Santos. Se esses preços não reagirem, os produtores endividados vão ter dificuldades.
Soja/milho
A soja recuou 0,56% ontem no mercado de Chicago, acumulando queda de 1,68% nos últimos 30 dias. Já os preços do milho subiram 0,96%, com alta acumulada de 3,44% em 30 dias.
Boi
A arroba do boi termina a semana em R$ 29,50 em SP. Essa estabilidade de preços, que deve continuar nos próximos dias, segundo avaliação do mercado, se deve à maior oferta de gado.





