-Mais de um ano depois que a soja transgênica entrou no País e começou a fazer sucesso, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, deve dar hoje seu aval ao plantio em escala comercial ao produto geneticamente modificado. Enfim, o egrégio colegiado se manifesta sobre um alimento que é plantado em 15 milhões de hectares em países como os Estados Unidos, Canadá, Austrália e Argentina. Ah, a CTNBio ainda vai acompanhar a soja transgênica durante cinco anos.
-A previsão do parecer favorável é do presidente da CTNBio, o agrônomo Luiz Antonio Barreto de Castro e foi feita na terça-feira à Agência Estado.
-E tem um pormenor: o assunto deveria ser votado na última sexta-feira, mas o representante do Ministério do Meio Ambiente, Lídio Coradin, pediu vistas do processo, forçando o adiamento da decisão.
-De acordo com Castro, a CTNBio já concluiu que a soja transgênica não é nociva ao ambiente nem à saúde humana. ‘‘Não há nenhum caso de reação alérgica ou imunológica a essa soja’’, disse ele, em entrevista ao repórter Demétrio Weber, da Agência Estado. Castro está preocupado em divulgar informações sobre a soja transgênica, em especial para esclarecer eventuais dúvidas técnicas de juízes que venham a lidar com o assunto.
-Na semana passada a juíza Raquel Fernandez Perrini, da 11ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, concedeu liminar proibindo o plantio do alimento em escala comercial no País, atendendo a pedido do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). ‘‘Gostaria que os juízes tivessem elementos disponíveis sobre o tema na hora de julgarem esses casos’’, afirmou o presidente da CTNBio, que disse ter ficado surpreso com a atitude do representante do Ministério do Meio Ambiente na última reunião.
- Cautela ‘‘A cautela é uma arma importante’’, argumentou Coradin, para quem os dados colhidos até o momento são ‘‘incipientes’’. Segundo ele, os efeitos da soja transgênica num país de clima tropical, como o Brasil, ainda são desconhecidos, em especial na região amazônica, onde o alimento é cultivado.
-A próxima reunião ordinária da comissão, prevista para a segunda quinzena de outubro, vai analisar um pedido do grupo Agrevo para fazer testes preliminares com arroz transgênico no País. ‘‘Vamos fazer um estudo minucioso do caso’’, adiantou Castro. Isso porque, entre outros aspectos, o arroz transgênico pode dar origem a ervas daninhas resistentes a herbicidas, ao contrário da soja, que não tem parentes silvestres.

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