Oswaldo Petrin
-Depois de dois dias de reunião, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio) apresentou uma inusitada: a soja transgênica não é um produto nocivo ao meio ambiente. Não deixa de ser um avanço. Isto porque um dos membros da Comissão, por sinal seu presidente, o pesquisador Luiz Antônio de Castro, há quase 40 anos, se dedica à pesquisa de organismos vegetais geneticamente modificados. Imaginem só. Pelo jeito, os técnicos ainda vão demorar um bom tempo para concluir suas análises sobre os efeitos da soja transgênica sobre a saúde humana e a necessidade de especificação do produto na embalagem de venda ao consumidor, que são os objetivos imediatos.
-Brincadeira à parte, a Comissão até agora examinou, apenas, o aspecto do impacto ambiental da produção da soja transgênica.
-Tem muita gente delirando: um dos aspectos levantados foi o de que o cruzamento da soja transgênica com parentes silvestres da soja poderia resultar em uma erva daninha resistente a herbicidas. Isto não é relevante, segundo a comissão, porque o Brasil não é o centro de origem da soja (o centro de origem é na Asia). Este tipo de cruzamento, segundo Castro, poderá resultar em uma outra variedade de soja, que não foi produzida pela Monsanto.
-O presidente da CNTBio, Luiz Antônio de Castro, esclareceu que a comissão não quer desregulamentar produtos transgênicos para uso comercial. Ele explicou que o cultivo da soja transgênica não será autorizado sem acompanhamento técnico. A comissão vai acompanhar a produção de qualquer produto transgênico, quando liberada pelo Ministério da Agricultura. Castro disse, também, que a liberação ainda será precedida por vários testes no ministério, o que deverá retardar a autorização de plantio para o ano que vem. Ele adiantou que a CNTBio fará o acompanhamento técnico para saber se tem efeito sobre insetos benéficos ou pragas e se haverá efeito na fixação do nitrogênio no solo.
-A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) está preocupada com o aumento do nível de proteína na soja transgênica que poderia causar problemas alérgicos (são 300 aminoácidos em cadeia, quando a média na soja normal é de 100 aminoácidos).
-Com relação ao aumento de gordura do leite produzido por vacas alimentadas com soja transgênica, o presidente da CNTBio, Luiz Antônio de Castro, disse à repórter Gecy Belmonte, da Agência Estado, que este aspecto carece de fundamento. Segundo Castro, testes feitos nos Estados Unidos mostraram que a produção de gordura contida no leite de uma vaca alimentada sem soja transgênica, que era de 3% a 4%, aumentou em 10%, depois que o animal passou a ser alimentado com soja transgênica. Ele ressaltou que, atualmente, em diversos países, o leite é vendido com diversos teores de gordura. Assim, caberia ao consumidor optar pelo consumo de leite com maior ou menor teor de gordura.
Arroz





