Oswaldo Petrin
-A preocupação do presidente da Faep, Ágide Meneguette, diante da iminente redução do mercado comprador, em consequência da crise mundial, tem fundamento. Além das razões por ele exposta (veja na página 5), os dados mostram que as compras da Russia estão encolhendo. Em 1997 os russos importaram da União Européia 354 mil toneladas de carne bovina, pagando por elas US$ 474,4 milhões. Com a atual crise russa as exportações se inviabilizaram e devem pressionar os preços para baixo. A União Européia é o principal importador de carne bovina brasileira. Os especialistas ainda não analisaram a extensão dos prejuízos, mas, com certeza, os números não são nada animadores. Principal perda com relação à Russia é que o mercado potencial daquele País estaja sendo projetado como altamente promissor nos próximos três anos.
-Outro que não tem dúvida quanto às consequências da crise na agricultura, é o presidente da Confederação Nacional da Agricultura. Se o aumento das taxa de juros for prolongado, as previsões de crescimento de 10% na próxima safra agrícola ficarão comprometidos. Esta é a avaliação de Antônio Ernesto de Salvo, segundo um informe distribuído ontem pela Assessoria de Imprensa da CNA. De Salvo lamenta que que o aumento esteja ocorrendo justamente no período de custeio da safra, quando os agricultores precisam de recursos para financiar o plantio.
-Ele lembra que, um pouco antes disso, as alterações promovidas pelo governo na linha de crédito conhecida como 63 caipira já haviam praticamente inviabilizado os empréstimos externos para a agricultura, vez que os bancos preferem investir o dinheiro em títulos públicos. Agora, com o aumento dos juros, na opinião do presidente da CNA, a conta ficará muito alta para o produtor que precisar tomar empréstimos a taxas livres.
-O presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Antônio Ernesto de Salvo, acredita, no entanto, que o aumento das taxas de juros é uma medida temporária. Ele lembra que os efeitos da medida seriam menores sobre a economia se o governo tivesse equilibrado as contas públicas e feito os ajustes necessários há mais tempo.
-Segundo um informativo distribuído ontem pela Assessoria de Imprensa da CNA, de Salvo acha, entretanto, que não há motivos para previsões catastróficas em relação à economia brasileira, no momento.
-A hora é de termos tranquilidade, pois não somos um países
desarrumado; estamos bem mais arrumados do que estivemos no passado, disse de Salvo no informe. Para o presidente da CNA, as consequências do aumento dos juros são sérias, em princípio, para quem está precisando de capital, além do que juros elevados reduzem investimentos e empregos.
Soja/atacado





