Oswaldo Petrin
-A queda acentuada das bolsas ontem (ver índice Bovespa nas páginas de Economia deste caderno), desapontou quem ainda tinha um pingo de esperança de que a crise está se diluindo. Não está. Tanto que, ontem, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, procurou tranquilizar o mercado. Convenhamos: as bolsas trabalham com especulação. Mas é o indicador de refléxos mais rápidos.
-Segundo o ministro, há uma espécie de um pânico, uma emotividade muito grande, uma certa irracionalidade coletiva que às vezes assalta certo tipo de mercado e leva as pessoas a determinados tipos de comportamentos que absolutamente não se justificam, segundo o ministro. Ele tem razão. Mas este comportamento dá o tom. E daí?
-O quedro já transparece na radiografia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) . A economia brasileira está entrando em recessão, na avaliação de técnicos da FGV. Ao divulgar ontem a deflação registrada em agosto, de 0,17%, o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney Cota, fez, pelo segundo mês consecutivo, a revisão da projeção de inflação para o ano, medida pelo Índice Geral de Preços (IGP), que deve ficar entre 1,5% e 2%.
-No início do ano, a perspectiva de inflação anual chegava a 4% ou 5%. No mês passado, quando ficou evidente a explosão da crise russa, a previsão vaixou para 2,5% a 3%. A baixa da inflação, apesar do agravamento do cenário econômico não é um bom sinal. Pelo contrário, significa bloqueio do consumo e queda da atividade produtiva. O ítem Produção Industrial, um dos que formam o Índice de Preços por Atacado (IPA), teve o segundo mês de variação negativa.
-Paulo Cota argumenta que uma elevação maior da taxa de juros deverá puxar também o aumento do déficit público, que está em 7%. Se a taxa de endividamento chegar a 8% ou 9%, veremos uma saída de dólares maior ainda do que a verificada nos últimos dias, adverte o economista.
-A variação do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de setembro foi 0,21 ponto porcentual inferior à de agosto, quando o normal, pelo movimento sazonal do ano, seria que começasse a subir. A taxa é composta pela medição de três índices básicos: o Índice de Preços por Atacado (IPA), que ficou em -0,04%; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que foi de -0,52%, e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), o único a registrar variação positiva, de 0,22%. Este foi o terceiro registro de deflação no ano, pela medição feita na Fundação Getúlio Vargas. A primeira foi em abril, que teve taxa de -0,13%, a segunda, em julho, com -0,38%. Este mês, os técnicos estavam contando com uma elevação significativa do índice, que não ocorreu. Para o setembro, a previsão é de que a inflação fique próxima a zero, mas Paulo Cota lembra que daqui para a frente pode acontecer qualquer coisa, dependendo das medidas que o governo venha a tomar.
Milho/alta





