-As medidas fiscais tomadas ontem, que cortam gastos públicos, e o aumento das taxas de juros decidido na sexta-feira vão reduzir o crescimento da economia brasileira, segundo o coordenador do Grupo de Acompanhamento de Conjuntura (GAC) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica (Ipea), Paulo Levy. O Ipea é um órgão do Ministério do Planejamento. Levy disse que, mesmo com o efeito contracionista sobre a atividade econômica, as medidas valem a pena, pois abrem a perspectiva de volta de crescimento sustentado para o País, em dois a três meses.
-Segundo Levy, estava se firmando no horizonte a noção de que o Brasil vinha entrando em um trajetória fiscal insustentável. Portanto, em seu entender, as medidas podem tirar do caminho as dúvidas sobre o futuro e as incertezas de curto prazo que causaram uma enorme fuga de capitais do País, nas últimas semanas.
-Para Levy (em entrevista à Agência Estado), uma das medidas mais decissivas entre as tomadas foi a de criação, por Medida Provisória, da Comissão de Controle e Gestão Fiscal (CCF). A comissão, estritamente técnica, tem tudo para se tornar peça fundamental do controle efetivo do déficit público, avalia, antes de tudo porque retirará das costas do Executivo o peso das pressões por mais gastos, que vêm das diversas áreas do governo.
-‘‘Acredito que a ficará em isolamento político e terá condições reais de garantir o cumprimento das metas de rdução dos gastos públicos’’, afirmou. Levy recordou que há cerca de dois anos, em um seminário em Buenos Aires, a idéia de uma comissão como esta foi lançada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
-Embora esperando uma diminuição no crescimento da economia, Levy enfatizou que ‘‘seria uma futilidade’’ fazer projeções sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, à luz dos efeitos das medidas anunciadas anunciada, e também da alta dos juros. De acordo com ele, somente em mais duas semanas haverá dados e informações suficientes para se fazer projeções sobre o comportamento da economia em 98. Ele afirmou ainda que não cabe mais perguntar se o governo tem ou não como cortar gastos. ‘‘Os gastos têm de ser cortados e ponto final’’, resumiu. ‘‘Não há opção para fazer nada diferente do que foi feito.’’
-O governo tomou uma medida que resolve sue problema interno, um problema de governo. Embora a falta de um ajuste agora certamente devesse refletir nos demais setores da economia, não resta dúvida que o problema tem uma certa conotação ‘interna’, principalmente quando corrige falhas anteriores (caso da ausência da correção cambial). Agora o rastro de consequências, isto é, o estrago que a medida causa na economia como um todo, não é levando considerado. A sociedade paga a conta.


Milho/atacado

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