-A indústria têxtil terá um papel importante na sustentação do mercado do algodão. Isto pode ser visto a partir da próxima semana. É que no dia 11, será realizado o leilão do Prêmio de Escoamento de Produção (PEP) que vai subsidiar exportação via indústria para que ela pague pelo menos o preço mínimo ao produtor. Com a medida, o governo estende à exportação os mesmos subsídios oferecidos para a comercialização de algodão no mercado interno. Esses subsídios são garantidos através dos leilões de PEP, nos quais será dado crédito para a indústria têxtil, mediante confirmação de que esta pagou o preço mínimo de garantia ao produtor.
-A expectativa do governo com a liberação do PEP para exportação é de fomentar a comercialização das safras de Goiás, Paraná e São Paulo. Principalmente Goiás que sofreu perdas na qualidade da fibra, rejeitada no mercado doméstico. Para o gerente de comercialização de algodão da trading Esteve S/A, Marco Antônio Aluízio, em entrevista ao repórter Renato Stancato, da AE, o PEP pode viabilizar a compra da fibra. Dá para competir com o algodão argentino, que também está com problemas de qualidade.
-A medida teria sido ainda mais interessante se tivesse sido implementada antes, quando havia mais oferta de produto paranaense. ‘‘Era um produto que também tinha alguns problemas de qualidade, e estaria muito perto do porto de Paranaguᒒ, disse. O gerente de comercialização da Esteve acredita que as exportações de algodão de alta qualidade, contudo, não serão viáveis nos preços atuais. ‘‘A indústria nacional ainda paga mais pelo produto do que o mercado internacional, que está com preços deprimidos.’’
-O programa dos leilões de PEP do governo já favoreceu o escoamento de 129,5 mil toneladas da safra 98/99, de acordo com números da Secretaria de Política Agrícola. Através do AGF e EGF, outras 5,8 mil toneladas foram retiradas do mercado. A safra brasileira este ano é estimada em 412 mil toneladas pelo governo. O consumo da indústria é calculado em pelo menos 750 mil toneladas, o que gera um déficit de oferta de cerca de 340 mil toneladas.
-Contudo, a comercialização do produto brasileiro tem sido subsidiada porque o produto internacional é financiado em até 420 dias a juros internacionais que ficam em torno de 12% ao ano, muito abaixo das taxas nacionais. Com isso, do ponto de vista financeiro a importação tem grande atrativo para as indústrias nacionais. O industrial pode comprar o algodão, processá-lo, vendê-lo e deixar o dinheiro aplicado até a data do vencimento do financiamento, aliando liquidez a ganhos financeiros.
-Ontem, em Esteio (RS), na Expointer, o ministro da Agricultura, Francisco Turra, disse que o Brasil deverá ampliar suas exportações de produtos agrícolas dos atuais US$ 18 bilhões anuais para US$ 45 bilhões no ano 2002.


Boi/alta

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