-É difícil afirmar que a recessão (ou ‘‘desaceleração’’, como preferem alguns empresários) que atinge a indústria de alimentos, neste semestre, irá afetar o mercado fornecedor de matérias-primas ano que vem, prolongando a crise do agronegócio. O crescimento de alguns setores - como o de alimentos vegetais congelados - falseia as estatísticas do setor.
-Produtos semiprontos e supercongelados projetam crescimento acima de 15% em 1998. Esse setor evoluiu em torno de 17% nos últimos dois anos, segundo Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). Juntos, os dois representam entre 1,2% e 1,5% do mercado de alimentos industrializados fabricados no Brasil.
-Assim como os semiprontos e congelados, a indústria de massas também se garante, fornecendo boa parte de sua produção para os programas sociais do governo. Quem entrar hoje no depósito de uma fábrica de macarrão, qualquer que seja sua posição no ranking, vai ver grande volume direcionado ao Programa Comunidade Solidária. Com humor, diz-se que o maior cliente das fábricas de massas é dona Ruth Cardoso. Viva a cesta básica, portanto.
-No global, porém, o comportamento é negativo. O resultado da produção física das indústrias de alimentos no primeiro semestre deste ano surpreendeu o setor. A projeção inicial, embora fosse negativa, queda de 1%, mais que dobrou, atingindo -2,32% comparada aos primeiros seis meses de 1997, conforme apurou a Agência Estado. O desempenho se torna ainda mais preocupante tomando como base o mês de junho sobre idêntico período do ano passado, quando a produção despencou 4,94%. A indústria teve uma ligeira reação apenas na comparação sobre maio deste ano: 2,35%.
-As altas taxas de juros e a redução da massa salarial foram os principais fatores responsáveis pela queda, segundo Dênis Ribeiro, coordenador do Departamento de Economia da Abia. O economista não vislumbra um cenário nada animador para o ano. Na melhor das hipóteses, ou seja, se houver ‘‘uma arrancada nos negócios no segundo semestre’’, a indústria deverá fechar ao redor de 1%, empatando com o resultado obtido no ano passado.
-Em janeiro, Ribeiro projetava um crescimento entre 1,8% e 2% para um mercado que movimentou US$ 70,2 bilhões no ano passado. Não estamos passando por uma recessão, mas por uma forte desaceleração, acredita. O consumo está concentrado em produtos da cesta básica.
-Neste segmento, embora os dados ainda não estejam consolidados, ele prevê incremento entre 2% e 3% no semestre. Prova disso é que Associação Brasileira da Indústria de Massas (Abima) refez para cima seus cálculos. No início do ano a previsão era crescer entre 10% e 15%. Apenas o governo já consumiu 60 mil toneladas de macarrão no primeiro semestre contra 50 mil toneladas em 1997, afirma Aluízio Quintanilha, presidente da Abima.


Milho/alta

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