-Salvo erro das agências de notícias, juros de 3% para os empréstimos às cooperativas (ver matéria principal nesta página), realmente é uma mamata. Não que o setor deixe de merecer, mas é que ninguém esperava. As cooperativas estavam se dando por satisfeitas com juros do Pronaf (5,75%), que é um programa social. Dentro do próprio cooperativismo, taxas de até 8% seriam bem-vindas.
-Vamos aguardar o anúncio de hoje e torcer para que as taxas sejam realmente de 3%. E que haja outras facilidades. Como se vê o presidente FHC procura redimir-se do tratamento que seu governo impôs ao setor agrícola. Afinal, foram tantos sacrifícios, como ele próprio admitiu por várias vezes. FHC procura, com determinação, uma aproximação com setor agrícola. Ontem, por exemplo, criticou os subsídios externos.
-O presidente também está receptivo às propostas e recomendações do Fórum Nacional da Agricultura (FNA). As propostas, entregues ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso deverão se transformar no programa de governo de um eventual segundo mandato, na avaliação do ministro da Agricultura, Francisco Turra. Durante cerca de dois anos, mais de 2.000 pessoas ligadas aos setores público e privado debateram a melhor forma de garantir a inserção competitiva da agricultura brasileira no mercado internacional e o atendimento da crescente demanda do mercado interno.
-‘‘O Fórum é a tentativa de se ter uma política agrícola duradoura no País e as dez bandeiras propostas deverão estar na linha do programa do presidente para o novo mandato’’, disse Turra. O trabalho do Fórum teve 34 grupos temáticos diversos com participação de todos os envolvidos em cada cadeia produtiva. ‘‘Antes o produtor de trigo não conversava com o moinho ou o produtor de algodão não se entendia com a indústria têxtil e o Fórum fortaleceu o conceito de cadeia produtiva sem o qual é impossível avançar na economia globalizada’’, disse o presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) e coordenador do FNA pelo setor privado, Roberto Rodrigues. Ele destacou o modelo de gestão compartilhada do Fórum para o qual deverão atentar outros setores da economia.
-Um dos principais objetivos do Conselho do Agronegócio, criado ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, será garantir o aumento da competitividade dos produtos do agronegócio brasileiro, para ampliar as exportações do setor de US$ 19 bilhões para US$ 45 bilhões em 2002, com a geração de 10 milhões de postos de trabalho.
-O Fórum Nacional da Agricultura (FNA) identificou 20 medidas para se alcançar estas metas. Entre elas estão o desenvolvimento de bolsas de futuros via desoneração do investidor estrangeiro, formação de negociadores (traders) especializados, criação da marca Brasil, um novo modelo de informações estatísticas sobre mercados agrícolas e do agronegócio.


Agronegócios

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