Oswaldo Petrin
-Sinais indesejáveis de desaquecimento da economia 1) A inadimplência estabiliza em níveis altos, 2) Os preços agrícolas caem de um mês para outro sugerindo baixa remuneração, 3) O varejo (da Grande São Paulo, mas representativo das demais cidades) vende menos. Os indicadores da deflação não agradam a ninguém; menos ainda no caso do Brasil em que deflação decorre quase que exclusivamente da falta de consumo. O tempor é que daqui para frente esses indicadores se repitam na prova evidente do recuo econômico. Ainda bem que o último trimestre se aproxima e o País esquece as bolsas, as eleições e passe a agir em ritmo de final de ano. Como consolo resta apostar nas falhas das estatísticas, na informalidade da economia e na infidelidade de praxe nas informações que os agentes econômicos passam para os órgãos oficiais. Afinal estatística no Brasil não é nada confiável.
-No caso do varejo, a variação acumulada nos últimos 12 meses também foi negativa (-10,24%). Os dados são da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), segundo o resultado da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista, realizada pela entidade, e divulgados ontem pela Agência Estado.
-Em julho, o faturamento do varejo aumentou 5,59% sobre o mês anterior, mas quando dessazonalizada, a variação passa a ser negativa (-0,48%). Em relação a julho do ano passado, o faturamento do setor também foi negativo (-0,98%), na comparação dessazonalizada. Segundo a FCESP, o desempenho é preocupante, pois mostra que a estabilidade verificada no setor nos últimos meses não teve força suficiente para reverter o fraco desempenho das vendas.
-De acordo com a pesquisa, excluindo o desempenho do comércio de um modo geral, o segmento das concessionárias de veículos teve as piores vendas, com diminuição de -2,80% sobre junho. Na variação mensal dessazonalizada, o setor aumentou seu faturamento real em 9,51%. As autopeças, com aumento de 1,02% das vendas, completou o bom resultado do grupo comércio automotivo, que fechou julho com faturamento 9,07% superior.
-O desempenho favorável deste grupo é entendido pela federação como resultado de um grande esforço de vendas que vem sendo desenvolvido nos últimos 90 dias, já que os estoques elevados levaram as concessionárias a tentar promoções mais ousadas, abrindo mão de lucros.
-Outro fator que influenciou positivamente o desempenho do setor foi a liberação dos prazos dos consórcios. Falar em crescimento das vendas devido à redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ainda é prematuro e serão necessários alguns meses para verificar se houve influência positiva sobre o comportamento das vendas, segundo a pesquisa. Os resultados consolidados para o faturamento, em julho, indicam que a variação acumulada neste ano foi negativa (- 8,61%). (Agência Estado).
Boi gordo
A arroba subiu ontem para R$ 28,50 no Estado de São Paulo, segundo pesquisa do Data Folha. Esse também é o preço do Sindipec. A Scot Consultoria diz que há negócios a R$ 29,00. Mas são poucos.
Boi gordo 2
Para a Scot, há pouca oferta, mas a procura é menor ainda. A FNP diz que em SP, MS e MG as ofertas tiveram pequeno aumento. No Paraná, ainda não. O pagamento dos salários de agosto deve elevar o consumo no final de semana.
Deflação
Os preços pagos aos produtores continuaram em baixa em agosto. A pesquisa do IEA/SP mostra queda de 1,04% (em julho a queda havia sido de 4,03%). No ano, os preços caíram 3,69% (o IGP-M foi de 1,66%).
Deflação 2
Segundo o IEA, os preços vêm caindo desde o início de julho, devido à baixa dos produtos vegetais (1,43% em agosto e 5,63% no ano). Os pecuaristas receberam mais 0,73%.
Safra
O IBGE divulgou ontem o levantamento da produção agrícola de julho. A safra (cereais, leguminosas e oleaginosas) deve somar 76,493 milhões de t, 1,32% menos do que os 77,517 milhões de 97. (Agência Folha).





