Oswaldo Petrin
Leitura da crise

-Desinformação e um certo sensacionalismo marcam o farto noticiário sobre a crise das bolsas no mundo. Na obsessão com que busca abordar o assunto, a disputa é para ver quem consegue prognosticar o caos em primeira mão. Nesse contexto, em que prosperam as inteligências obscurecidas, sobra espaço para todos e todos falam, porque o palpitômetro está aberto. São os executivos de bancos que buscam espaço no mercado e tentam tirar proveito da situação; há ainda a busca do vedetismo por parte de analistas de bancos internacionais, de bancos nacionais, das bolsas e, principalmente, expoentes de universidades.
-O economês impera nessas ocasiões. Até porque o uso de variantes vocabulares auxiliam para deixar o dito pelo não dito através da dúbia interpretação.
-Não se pode negar, contudo, que a crise chegou por aqui. Primeiro nocaute foi sobre o repasse para a agricultura de recursos captados no exterior. A ‘‘63 caipira’’ sai de cena. Mas outros setores serão prejudicados. Ontem mesmo, o vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, disse que o banco fechará o ano com captação de recursos no exterior inferior à feita ano passado, em decorrência da crise econômica internacional. Ele explicou que o risco Brasil aumentou, tornando os recursos que o País poderia captar mais escassos e mais caros. Assim, o BNDES está preferindo, neste momento, não recorrer ao mercado internacional em busca de dinheiro para reforçar o seu orçamento de investimentos. No ano passado, as captações externas do banco foram de US$ 905 milhões e este ano estão em US$ 485 milhões.
-Outra consequência, também divulgada ontem: governo, compelido pela crise, elevou a Taxa de Juros de Longo Prazo, a TJLP para 11,68%. A crise que começou na Ásia, no ano passado, e agora atinge a Rússia, já começa a provocar efeitos práticos no Brasil, conforme reportagem de Vânia Cristino e Gustavo Freire. Devido à queda do preço dos títulos da dívida externa brasileira no exterior, os juros pelos papéis subiram no mercado internacional e, com isso, provocaram a elevação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). A TJLP, fixada ontem pelo Banco Central para o período de 1º de setembro a 30 de novembro, é de 11,68% ao ano, contra uma taxa anterior, que vigorou nos três meses anteriores, e que era de 10,63% ao ano.
-Segundo um técnico do Banco Central a elevação da TJLP ‘‘deve-se, exclusivamente, à elevação da taxa de juros dos títulos da dívida externa brasileira’’, já que 70% da taxa é composta por esses papéis. A elevação da TJLP, criada pelo governo em 1994 para ser uma espécie de Libor brasileira, já ocorreu uma vez, justamente em dezembro do ano passado, logo após a crise asiática. Na época, a TJLP, fixada para os meses de setembro a novembro, estava em 9,40% ao ano. Em dezembro, o Banco Central puxou a taxa para 9,89% ao ano. (Veja mais nas páginas de Economia).

Soja
Com a crise, a demanda mundial tende a cair elevando os estoques (há
possibilidade de recorde acima de 15 milhões de t) e reduzindo mais os
preços. Ontem, em Chicago, a cotação foi de 514,75 centavos de dólar/bushel.
Milho
O produto também vem sendo afetado pela crise, que reduzirá o consumo. Ontem, nova queda em Chicago, para 187,25 centavos de dólar por bushel, a menor cotação internacional dos últimos dez anos.
Milho 2
A Scot Consultoria diz que as compras de milho e carne branca pelos russos devem ser menores daqui para a frente. Isso baixará os preços do milho e afetará a balança comercial agrícola brasileira.
Boi gordo
A oferta de animais para abate continua reduzida em SP, PR, MS e GO,
segundo a FNP Consultoria. Para a FNP, as vendas do final de semana no
atacado foram razoáveis; para a Scot, foram boas.
Boi gordo 2
Para a Scot, em São Paulo já há compradores oferecendo R$ 29 pela arroba. Os pecuaristas estariam segurando a produção, esperando preços melhores. Para a FNP, a cotação em São Paulo é de R$ 28,50. (Agência Folha).

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