Oswaldo Petrin
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está investigando outra denúncia grave contra uma empresa que negocia contratos de boi gordo, depois do escândalo do caso da Gallus Agropecuária. Segundo a Agência Estado, a autarquia recebeu denúncias de que a empresa paulista Embrapek, que atua nos mercados paulista, mineiro e paranaense, estaria com títulos protestados no mercado, um pedido de falência e uma ação de despejo. A informação cita como fonte a própria CVM.
Para piorar, a Embrapek continua negociando contratos de boi gordo, mesmo depois de receber ofício da CVM alertando de que ela estaria impedida de atuar até que o seu pedido de registro seja analisado.
A autarquia já tem em mãos dois contratos emitidos pela Embrapek e dentro de alguns dias estará enviando um comunicado ao mercado com alerta sobre a empresa. A repórter Ana Paula Nogueira, da Agência Estado, telefonou para a Embrapek como compradora e, por intermédio de uma vendedora de nome Rosângela, ofereceu um contrato de boi magro, que promete uma engorda mínima de 41%.
Se você tivesse comprado no ano passado um contrato de 16 meses, no valor de R$ 10 mil, estaria resgatando hoje R$ 17 mil, ressaltou a vendedora, dando um exemplo de como o negócio é rentável e seguro. O único risco é o do boi morrer, mas a nossa empresa cobre até essa possibilidade, acrescentou.
A funcionária da Embrapek fez questão de destacar que a empresa recebeu registro da CVM e hoje já tem cerca de 500 contratos. Segundo Rosângela, a Embrapek trabalha com todos os tipos de contratos de boi gordo: garrote, boi magro e boi erado (bom para corte). No entanto, a funcionária indicou como melhor investimento do momento os contratos de boi magro.
A diferença para as demais empresas é que temos contratos de prazo menor, de no máximo 16 meses, comentou. A vendedora disse que a empresa está localizada em São Paulo, mas no caso de compradores de outras cidades os contratos poderiam ser fechados via fax.
A Embrapek enviou um contrato para a redação da Agência Estado pensando que se tratava do endereço de um comprador. O contrato garante uma engorda mínima de 62% para o garrote, 41% para o boi magro e 27% para o boi erado. Quando procurada oficialmente pela Agência Estado, a funcionária apenas garantiu que a empresa tem toda a documentação da CVM que a autoriza a operar no mercado.
O episódio da Gallus Agropecuária pegou muitos investidores de surpresa. Àquela época, não faltaram, contudo, sinais de que algo estava caminhando para um desfecho indesejável. Mas o mercado era novo, não estava suficientemente alertado. Agora, informações como esta, da Agência Estado, podem precipitar a crise. Mas pelo menos, o mercado não será pego de surpresa.
Café
As exportações não vão atingir a meta fixada para este mês (2 milhões de sacas), devido à greve dos fiscais da Receita. Segundo o Escritório
Carvalhaes, até o dia 26 tinham sido embarcadas 723,3 mil sacas.
Café 2
Os trabalhos estão sendo retomados lentamente, diz o escritório. O total exportado ficará bem abaixo dos 2 milhões de sacas. Ontem, o café subiu
2,02% em Nova York (118,9 centavos de dólar por libra-peso).
Crise
A crise que atinge os países emergentes tem reflexos nos mercados de
commodities agrícolas. Com a crise, países que antes compravam grandes
volumes, agora terão de reduzi-los, derrubando os preços.
Milho
Um dos produtos mais afetados é o milho. É que a Rússia, o Japão e outros países da Ásia comprarão menos. Assim, os preços atuais (ontem, 189,75
centavos de dólar por bushel) são os menores dos últimos dez anos.
Trigo
A crise também afeta o trigo. O único fator que pode reativar os preços é o consumo mundial, que deve superar a produção em 1,6% (602 milhões de t e 592,4 milhões, respectivamente), segundo a IGC inglesa. (Agêcia Folha).





