Oswaldo Petrin
-O ministro da Agricultura Francisco Turra disse ontem que a crise econômica vivida pela Rússia e por países asiáticos já afeta os produtores brasileiros. Os que mais sentem os reflexos, por enquanto, são os empresários do setor de carne suína, afirmou o ministro que ontem pela manhã, visitou as instalações da Embrapa em Sete Lagoas, a 70 quilômetros de Belo Horizonte.
-A Rússia estava sendo um grande mercado para importação de produtos suínos e, de repente, os exportadores brasileiros passaram a ter um pé atrás, com dúvidas de que a moratoria daquela País possa ser estendida também para nós, o que fez com que recuassem em negócios já fechados, segundo o ministro.
-Apesar da quebra da safra de grãos no biênio 97/98 - 79 milhões de toneladas, segundo dados do IBGE e da Conab -, o ministro disse estar confiante na recuperação em 1999. Não havendo nenhum problema climático, vamos ter uma bela safra, já que há um volume de sementes no mínimo 3,5% superior ao do ano passado e aumentos nos corretivos e fertizantes, que chega a 10%, e nas máquinas, de 19%, afirmou. Então, tudo indica que teremos aumento, especialmente nas culturas de milho e arroz.
-Em Belo Horizonte, Turra disse que, em outubro ou novembro, o leite em pó poderá ser incluído nas cestas básicas distribuídas pelo governo federal, o que beneficiaria milhares de produtores. Segundo o ministro, a medida, que ainda depende de aprovação do conselho do programa Comunidade Solidária, foi viabilizada com a liberação quara-feira, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de R$ 250 milhões para projetos de estocagem de leite in natura, em indústrias e, principalmente, em cooperativas.
-Isso vai permitir a transformação do leite em pó e também que a gente possa incluir esse leite na cesta básica, disse Turra. Acho que a tendência é que os conselhos do Comunidade Solidaria e do Prodea aceitem a proposta e que o leite em pó já esteja nas cestas a partir de outubro ou novembro, acrescentou.
-Com a inclusão, informou o ministro, haveria destino certo para 2,5 milhões de quilos do produto por mês, já que este é o número de cestas básicas atualmente distribuídas. (Evaldo Magalhães, da AE).
-Incrível mas como fica evidente a fragilidade política do Ministério da Agricultura. A inclusão do leite na cesta básica, mais de três meses atrás era considerada como favas contadas no dizer do próprio governo. No entanto, verifica-se que o ministro ainda está tendando aprovar a medida e sempre fica na dependência (no caso do CMN) de alguém ou de algum órgão com maior poder de decisão.
100 Touros





