-Em outubro do ano passado, com base em taxas de juros cobradas no segundo semestre pelo comércio, mostramos nesta coluna que a ciranda financeira sobrevive, apesar da estabilidade econômica, e que a cultura inflacionária ainda está arraigada no nosso sistema de ‘‘mercado defensivo’’. É defensivo porque insiste em embutir taxas de riscos, apesar dos indicadores apontarem, naquela oportunidade, redução da inadimplência. Os principais indicadores, no caso, seriam infocheque, teleche e consulta ao SPC. Números oficiais na época apontavam redução desses números e, portanto, uma performance melhor do consumidor, àquela época reabilitado da grande ressaca da gastança que comprometeu a renda no início do Plano Real, por conta do erro de cálculo na conversão da moeda. Ao mesmo tempo os mesmos indicadores apontavam crescimento das vendas à vista e redução dos prazos do crediário.
-Pois é, só para contrariar o discurso do Presidente FHC de reduzir os juros, as taxas pararam de cair este mês. As grandes redes de varejo estão praticando taxas de juros entre 4,50% e 6,95% ao mês no crediário, segundo pesquisa do Procon realizada entre 25 e 30 de janeiro. Os dados da pesquisa foram divulgados ontem. Praticamente não houve surpresa. A pesquisa foi feita no varejo de São Paulo, mas é quase o mesmo praticado em outros Estados por se tratar de estudo feito junto à lojas de departamento. Pode, portanto, ser extrapolado para praças como Londrina, Cascavel, Maringá e outras.
-A diferença entre a menor taxa de juros, de 4,5% ao mês, está bem acima da inflação de janeiro, de 1,77%, segundo o IGP-M (Indice Geral de Preços do Mercado). Para o Procon, se o produto não for de extrema necessidade, o consumidor deve guardar o dinheiro da prestação e pagar à vista. Segundo a pesquisa, um produto no valor de R$ 409, financiado em 18 vezes e com prestações de R$ 38, custará no final R$ 684. Se o consumidor economizar o valor da prestação durante prazo menor, de 11 meses, terá R$ 418. Mas o consumidor há muito tempo vem demonstrando que o valor da prestação é mais importante para ele na hora da compra do que as taxas de juros
cobradas pelo varejo.
-A taxa mais elevada cobrada por uma das lojas pesquisadas, atinge 123,96% ao ano. O levantamento do Procon confirma que as taxas de juros do crediário continuam as mesmas praticadas no final do ano passado.
-Portanto, a pesquisa mostra variações grandes nas taxas cobradas em vários segmentos do comércio. A menor é para o financiamento de veículos, de 5,71% na média das capitais. A maior taxa é cobrada na venda parcelada de artigos para ginástica, de 12,07% em média. Os juros também variam de acordo com o número de prestações do financiamento. A taxa de 11,54% mensal nos financiamentos inferiores a seis meses cai para 8,91% ao mês quando o prazo aumenta para 12 meses. A taxa mensal é ainda menor (8,69% ao mês) para prazo de 18 meses e volta a subir para 8,98% para prazos superiores a 18 meses.



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