-Em entrevista a este jornal, ontem, o professor Fernando Homem de Mello, da Universidade de São Paulo, considerou procedentes as preocupações com o risco iminente daquilo que o mercado convencionou chamar de ‘‘ataque especulativo’’ das bolsas. Se o governo não agir rapidamente, principalmente na área fiscal, a crise externa vai mostrar a verdadeira vulnerabilidade do plano econômico que beneficiou a Nação nos últimos três a quatro anos. Porém, não precisava chegar a esta condição de ‘‘a bola da vez’’, tivesse o governo adotado o ajuste fiscal no segundo ou terceiro ano do programa.
-Em compensação, se ajuste for feito, a agricultura será beneficiada e pode voltar a prosperar. O professor Fernando Homem de Mello dá seis meses para que isto aconteça. O dia seguinte às eleições terá que ser marcado por um anúncio de medidas de ajuste fiscal. Homem de Mello só espera que essas medidas sejam de baixo impacto para não ressuscitarem a correção monetária e as remarcações.
-O ideário do plano econômico está certo. O sacrifício, através da dobradinha juros e câmbio valorizado é aceitável e se justifica. Só não poderia virar um sacrifício de quatro anos. Se o governo tivesse feito o ajuste fiscal, a economia não estaria tão exposta à crises e/ou especulações internacionais.
-Homem de Mello não aposta no caos. Ele acha que se houver competência técnica e ação política rápida, o governo vai conseguir resolver o problema dos juros e do câmbio. ‘‘Acho que a crise não é só uma crise. Ela tem um lado bom que, corretamente administrado, leva ao sucesso’’.
-Na questão do ajuste atual de 6% ao ano, o professor da USP acha que a correção está sendo corroída pela desvalorização excessiva das demais moedas. Pensando bem esses países têm algumas semelhanças à economia brasileira, excetuando aí a boa reserva interna, que, contudo, não resiste uma crise como a Asiática, no final do ano passado, ou a Rússia, nos últimos dias.
-Homem de Mello acredita que é possível contornar a situação. Mas se continuar num câmbio de 1,17 e vendendo reserva para isto, aí não dá. O ideal seria passar da relação 1,6 mas sem que isto resulte em impacto.
-Neste ambiente, o professor não vê grandes mudanças no cenário para a agricultura. Mas se o governo conseguir reverter os efeitos da dobradinha juros altos e câmbio supervalorizado, ao final de seis meses haverá um ganho comparável aos quase 30% que se perde hoje pelo desnível cambial.
-A propósito, ontem os preços da soja reagiram no curtíssimo prazo, depois de um período de baixa. (Veja cotações). Apesar dessa pequena alta, os preços atuais voltaram aos níveis dos de novembro de 94, quando estavam em torno de 530 centavos. Diante disso, no curto prazo os preços tendem a permanecer em baixa.


Milho

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