-O mercado acionário, apesar do seu caráter especulativo, peculiar das bolsas de Valores, é um termômetro, em primeiro lugar da saúde das empresas que negocia e, em segundo lugar, da economia do País, naquele momento. As bolsas brasileiras que comemoraram na virada do ano o bom desempenho de 96 - imagens de papel picado e muita euforia na Bovespa - continuam festejando a boa performance. E têm motivos para continuar otimistas já que a emenda da reeleição sugere continuação das reformas que o País precisa para deslanchar.
-O raciocínio está certo: se com as reformas tímidas que o governo FHC empreendeu no Estado perdulário, ainda assim o ano foi bom, imagine se o governo decidir governar, isto é, agir sem se preocupar com o populismo que impede medidas firmes, geralmente atipáticas. As Bolsas apostam nisso. Só que o governo FHC tem que mostrar esta vontade nos primeiros seis meses, sob pena criar ceticismo generalizado que comprometerá o Real. A euforia pode ser efêmera como tudo nas Bolsas de Ações.
-Mas vamos às razões do mercado de ações: o valor de mercado das 550 empresas cotadas na Bovespa alcançou US$ 236,9 bilhões em janeiro. A alta em relação a dezembro foi de US$ 20 bilhões. A valorização elevou para US$ 89,4 bilhões os ganhos dos acionistas das empresas abertas cotadas na Bovespa nos últimos 13 meses. O número, divulgado ontem pela Bovespa, tem por trás o clima de euforia que tomou conta dos pregões (recinto de negociação) das Bolsas brasileiras a partir do ano passado.
-Em 96, o Ibovespa, termômetro das ações mais negociadas no mercado
subiu 64%. Neste ano, já teve alta de 23,16%. As ações da Telebrás, holding federal do setor de telecomunicações, finalmente começaram a se aproximar da marca dos R$ 100,00 por lote de mil _prevista para ser alcançada no final do ano passado, segundo bancos de investimento estrangeiros. Hoje Telebrás PN, a mais negociada, fechou em R$ 97,50. Telebrás ON, que dá direito a voto, subiu 6,46% para R$ 95,50 por lote de mil.
-No ano, a valorização de Telebrás PN chega a 21,88%. Além do otimismo do mercado quanto ao processo de privatização do setor de telecomunicações, um outro fator está pesando nas negociações com o papel nos últimos dias: o mercado de opções. Nesse mercado, os investidores negociam opções de compra ou venda de ações, apostando na alta ou na baixa dos papéis numa determinada data
futura. A data do próximo vencimento é 17 de fevereiro, segunda-feira que vem. Quanto mais próximo do vencimento, maior é a especulação com os papéis da Telebrás, conforme explica Milton Gamez, através da ‘‘Agência Folha’’. A Bovespa começa a olhar com preocupação a migração do mercado de Telebrás para Nova York, onde são negociados recibos dessas ações (os chamados ADRs, sigla de ‘‘american depositary receipts’’). Até ontem, o volume médio diário de negociação de Telebrás PN em Nova York chegou a 51% do total. Os outros 49% foram comprados e vendidos no Brasil.


Milho

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