Oswaldo Petrin
-Cai a produção industrial e melhora a performance agrícola. Os datos, tanto os oficiais - como do IBGE, da Secretaria de Política Econômica - ou os de órgãos representativos, como Confederação Nacional da Indústria, tratam do comportamento da economia no último mês. É avaliação efêmera, segmentada em períodos curtos. Não deve respaldar os pessimisas de sempre, nem alimentar os demasiados otimistas. No caso da producão industrial estão dizendo que ela retraiu-se 1,5% no mês de junho com relação a maio, e deve apresentar nova queda em julho, a julgar pela queda de 6,4% nos volumes arrecadados do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
-Já com relação à agricultura, a análise peca pelo exagero nas projeções de compra de equipamentos e insumos. Há uma demanda reprimida e, no primeiro sintoma de melhoria - como redução do IPI e outras taxas -, quem pode (e precisa do equipamento) se aventura à comprar. Os otimistas vêem nesta performance apenas alguns sinais de melhora. Já os otimistas chamam-na de aumento dos investimentos. Nem uma coisa nem outra, convenhamos. Tudo o que se vê está longe de sugerir uma reversão de tendência.
-Os agricultores continuam a investir, conforme revelam os dados sobre as vendas de máquinas agrícolas e também de fertilizantes - diz a notícia que circulou ontem e deve ser destaque, hoje, na imprensa. De acordo com dados apresentados ontem no Boletim Macroeconômico da Secretaria de Política Econômica do Ministeiro da Fazenda, as vendas de fertilizantes cresceram 2,6% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Já as vendas de máquinas agrícolas, cresceram 29,8% nos sete primeiros meses de 1998 em relação ao mesmo período do ano passado.
-Mesmo levando em consideração a queda registrada no segundo trimestre deste ano, as vendas de fertilizantes ainda são recordes para o período de janeiro a junho de 98. A retomada dos investimentos no meio rural esta associada à recuperação da renda agrícola, afirma o boletim, destacando que as estimativas indicam para uma expansão nominal (lavouras) em torno de 7% da renda agrícola neste ano.
-A elevacão da renda agrícola e a ampliação dos recursos do crédito rural com redução da taxa de juros, segundo o boletim, criam um ambiente favorável ao plantio da safra 1998/99. E isso deve sustentar as previsões de um crescimento econômico positivo neste ano (AE).
-No caso da indústria, apesar desse desempenho, o governo ainda espera um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 2% neste ano, e de 4% em 99. Ele confirmou a informação obtida pela AGENCIA ESTADO, de que o PIB deve ter crescido algo próximo a zero e 0,5% nos primeiros seis meses deste ano, embora não haja ainda cálculo definitivo sobre o assunto.
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