- O controle da inflação é profundamente meritório, mas quando os indicadores apontam para deflação, como agora, os agentes econômicos têm mais motivos para se preocupar do que para comemorar. Na variável preço, deflação é sinônimo de retração e aumento do poder de compra. Não no caso do Brasil, em que deflação é sinal claro de ausência de demanda, de recrudescimento do subconsumo. Não se deve comemorar deflação, portanto.
- Ausência de consumo prenuncia ausência (dispensa) de produção. O Plano Real, cuja virtude da estabilidade econômica é reconhecida, falhou na dosagem. E porque não descubriu o momento certo de flexibilizar. Melhor exemplo são os preços da agricultura que decresceram em alguns casos ou cresceram timidamente em tantos outros, num ambiente econômico em que a variação inflacionária de plausíveis 60%. Quase tudo funcionou. Menos a âncora verde.
- Aliás, a outra âncora, a cambial, também por falta de flexibilidade, é o ponto nevrálgico dessa transição. O governo terá de mexer nessa camisa de força. Se não afrouxá-la agora, terá de fazê-lo em circunstâncias mais contundentes, num futuro nada remoto. Mas o diagnóstico mais prudente sugere que se mexa. Mesmo que seja após as eleições.
- Sem ajuste fiscal, uma queda maior da taxa de juros básicos da economia (atualmente em 19,75% ao ano) poderá deixar o país vulnerável a um ataque especulativo. Esta também é a avaliação dos analistas econômicos. Muitos - como o professor Ismael Mologni, de Londrina, um dos primeiros -, vêm falando isto há um ano. E dias atrás, também a Fundação Vetúlio Vargas, órgão do governo, apontou para fato.
- Assim, sem controlar os seus gastos e reduzir o nível de sobrevalorização da moeda em relação ao dólar, que estaria hoje, segundo a FGV, em quase 20%, ou em 34% nas contas de Mologni, o País fica vulnerável a um ataque especulativo.
- Na recente crise mundial, nossa economia saiu incólume, apesar da intensidade com que as bolsas de boa parte do mundo foram atingidas. É importante ter claro, no entanto, que o governo fica preso na armadilha dos juros altos para manter a atratividade do país para os investidores estrangeiros. Mas, como se trata de uma armadilha é bom tentar desarmá-la na primeira oportunidade. A estimativa da FGV é que o governo deverá levar de dois a três anos para chegar a um equilíbrio da cotação do real - mantido o atual sistema de minibandas cambiais. Devido ao atual ritmo de desvalorização cambial (7,5% em 12 meses), os investidores estrangeiros exigirão um mínimo de 20% de taxa de juros interna para continuar investindo no país e compensar o risco que correm. Se deixarem o país, esses investidores levarão parte das reservas internacionais - o colchão para amortecer o impacto de um ataque especulativo.


Açúcar
- As exportações de açúcar do Brasil cresceram 85% em volume neste ano e apenas 68% em divisas, segundo a Secex. Isso ocorreu porque o preço da tonelada caiu 9,26% - de US$ 288,53, em 97, para US$ 261,82 em 98.
Açúcar 2
- Entre janeiro e junho o país exportou 3,087 milhões de t, contra 1,669 milhão em igual período de 97. Essas vendas renderam US$ 481,622 milhões no ano passado e US$ 808,336 milhões neste ano.
Açúcar 3
- Os preços do açúcar em Nova York tiveram pequenas alterações a partir de fevereiro. Ontem, o produto foi cotado a 8,53 centavos de dólar por libra-peso. Há um ano estava em 11,80 centavos.
Trigo
- O governo vai leiloar seus estoques e pagar prêmios aos moinhos. objetivo é elevar as cotações no mercado interno (em R$ 9,49/saca em SP e PR). Os moinhos têm comprado na Argentina, devido ao baixo preço e à boa qualidade do trigo.
Soja
- Mais um dia de alta em Chicago (ontem, no físico, mais 1,02%, para 547,25 centavos de dólar por bushel). No mercado interno há estabilidade. Pela pesquisa do DataFolha, a saca está em R$ 11,78 em SP/GO/PR. (Agência Folha).

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