Oswaldo Petrin
-Tudo o que se tem mostrado a respeito de implicações da crise externa sobre os preços dos produtos de exportação, notadamente as commodities agrícolas, leva em conta um mercado momentâneo, sujeito a especulações. Convenhamos que os números não deixam dúvida sobre a repercussão da crise sobre o mercado, mas tudo é medido no curto ou curtíssimo prazo. O produtor que ainda tem soja, por exmeplo, não deve se precipitar com agravamento do efeito asiático. Há quem aposte, por exemplo, na revesão de tendência e os preços podem reagir num prazo não muito remoto, talvez antes de novembro. O professor Ismael Mologni, por exemplo, coloca o cenário analisando cada uma das variáveis. Uma das hipóteses é a dos fundos de pensão - aqueles que mandam no mercado especulativo - virem a migrar para o mercado de commodities agrícola, na hipótese de agravamento das bolsas.
-Mas sobre a crise mundial e a vulnerabilidade do Brasil, vejamos o que diz o ministro Malan, já que muitos analistas têm prognosticado o caos: O ministro da Fazenda, Pedro Malan, nega que o governo esteja preparando um Plano Real 2 para enfrentar a crise externa. A resposta é não, enfatizou, ao ser questionado sobre um possível pacote. Estamos enfrentando (a crise) com paciência, persistência e confiança na nossa capacidade de enfrentar os problemas que temos pela frente, disse o ministro. (Veja matéira em outro local deste caderno de Economia).
-Malan afirmou (às repórteres Raquel Stenzel e Tânia Monteiro, da AE) que os problemas que provocam tensão no mercado financeiro não são derivados de nenhuma situação doméstica, mas de turbulências no cenário internacional. Ao que estamos respondendo muito bem, acrescentou. Segundo ele, o Brasil está melhor preparado para enfrentar uma crise internacional do que em outubro do ano passado. Basta ver o comportamento dos mercados futuros de câmbio e juros, disse.
-Perguntado sobre a queda na bolsa brasileira, ele comentou que com as bolsas caindo no mundo inteiro, só um desinformado acharia que com o Brasil seria diferente. Malan fez essas afirmações ao deixar o gabinete do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). O ministro foi ao Congresso para participar de um simpósio sobre o programa de renda mínima.
-O porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio Amaral, disse que a turbulência no mercado financeiro internacional já era esperada, como desdobramento da crise de outubro. Mas não há indicação de que estes desdobramentos tenham impacto no Brasil, como houve no ano passado, afirmou.
-Tal como havia afirmado Malan, Amaral garantiu que a economia brasileira está hoje mais bem preparada para enfrentar as ameaças à estabilidade da moeda. As circunstâncias internas são mais favoráveis para fazer frente à instabilidade no exterior, disse.
Milho/média





