Oswaldo Petrin
-Heroicamente, o macarrão brasileiro vai vencendo o concorrente importado, que tem a seu favor fama de melhor qualidade e, em muitos casos, mais barato. Apesar dessa dupla vantagem, a produção brasileira de massas secas supera as expectativas do setor. No primeiro semestre foram produzidas 550 mil toneladas, o que significou um crescimento da ordem de 17,02% sobre igual período de 1997. Para o ano a estimativa é dobrar, batendo no 1,1 milhão de toneladas, o que significará um salto de 19,57%, diante de uma projeção inicial que oscilava entre 10% e 15%. O faturamento deverá alcançar R$ 1,6 bilhão contra R$ 1,550 bilhão no ano anterior.
-Por conta disso - e recuperadas do impacto e susto iniciais da presença dos importados -, as indústrias estão acelerando os investimentos. Para o ano serão investidos cerca de R$ 90 milhões entre modernização de equipamentos e marketing, segundo dados de Aluízio Quintanilha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Massas (Abima), em entrevista à repórter Rosangela Capozoli, da Agência Estado.
-A AE dá vários exemplos de indústrias que estão investindo na produção. Renato Garcez, diretor geral da J. Macedo Alimentos - a maior empresa brasileira do setor de moinhos, massas e pães, com receita líquida de R$ 482,7 milhões no ano passado sendo 15% proveniente de massas e 30% da comercialização da farinha Dona Benta -, está dispensando maior atenção à área de massas. Dos 13 milhões direcionados ao marketing cerca de RS$ 3 milhões serão destinados para o macarrão, afirma.
-A empresa tem motivos de sobra para se dedicar ao segmento. Só neste semestre os negócios engordaram 30% sobre os primeiros seis meses deste ano e a previsão é de um faturamento líquido de R$ 506 milhões em 1998. A J. Macedo comercializa as marcas Brandini no Norte e Nordeste e Premiata no restante do Brasil.
-A explicação para os bons resultados, segundo representantes das indústrias, se baseia em três fatos: fortes aumentos dos preços registrados no arroz e feijão, estimulando o consumidor a migrar para o macarrão, queda média nos preços de até 10% e a seca no Nordeste provocando a reação do segmento, devido às compras para as cestas básicas. Este o grande fator de aumento do consumo.
-As compras para os programas do governo representam um grande estímulo para as indústrias, já que permitem alimentar cinco pessoas ao custo de R$ 4,00, contando com o molho, afirma Garcez. Pelas contas de Quintanilha, ao longo do ano passado o governo adquiriu 60 mil toneladas no semestre contra 50 mil toneladas durante todo ano passado.
-Mas macarrão é cardápio domingueiro. O Brasil ainda tem um consumo per capita muito distante em comparação a outros países: 5 quilos/ano. Na Venezuela, esse número chega a 12 quilos/ano, EUA 10 quilos e 30 quilos na Itália, maior consumidor mundial.
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