Oswaldo Petrin
-A queda nos preços internacionais da soja e, semanas depois, a queda nos preços do café, já transparecem no resultado da balança comercial nos sete primeiros meses do ano. O acumulado (US$ 2,3 bilhões) é menor que o de igual período do ano passado e mais ou menos a metade do que o governo espera obter no ano (US$ 4,5 bi).
-No caso do café, as projeções da Associação dos Exportadores (Abecafé) autorizam um pouco de otimismo. Também a expectativa da Câmara de Comércio Exterior é que o início do embarque do café, que começa em agosto, provoque impacto positivo na balança comercial. A previsão oficial de retomada da atividade econômica a partir deste mês, entretanto, poderá resultar em aumento da demanda por produtos importados.
-Os dados da balança são um balde dágua fria nas pretensões do governo. Isto acontece desde julho. É que as exportações não estão avançando conforme a meta de crescimento de 10% ao mês. A balança comercial fechou com superávit de US$ 81 milhões na primeira semana de agosto (cinco dias úteis), conforme dados divulgados ontem pelos ministérios da Fazenda e da Indústria e Comércio. As exportações somaram US$ 1,118 bi, com média diária de embarques de US$ 223,6 milhões. As importações, por sua vez, chegaram a US$ 1,037 bi, com média diária de desembarques de US$ 207,4 milhões. Se essas médias forem mantidas até o final do mês, o resultado será superavitário em US$ 340 milhões. Essa hipótese, entretanto, é considerada remota porque as importações tendem a se concentrar nos últimos dias de cada mês. O resultado positivo da primeira semana de julho, de US$ 135 milhões, gerou expectativa de que o superávit no mês chegasse a US$ 1 bi. O saldo conhecido na semana passada, entretanto, foi o déficit de US$ 380 milhões.
-Os levantamentos preliminares da Associação Brasileira dos Exportadores de Café (Abecafé) indicam exportação em julho de 1,616 milhão de sacas de 60kg de café em grão, volume 56% superior às 1.032.044 sacas embarcadas em julho/97. Segundo Jorge Esteve Jorge, presidente da Abecafé, a operação-padrão deflagrada durante a segunda quinzena do mês passado no Porto de Santos teve efeito pouco significativo no ritmo de embarques. Os dados da Abecafé indicam que o volume de exportação em julho foi o maior registrado desde outubro/96.
-A Abecafé prevê embarques mensais de 1,7 milhão a 2 milhões de sacas até dezembro próximo. A exportação no segundo semestre deste ano deve atingir 10,7 milhões de sacas, gerando receita cambial de US$ 1,3 bi. Nos sete primeiros meses deste ano, o volume das exportações de café em grão foi de 7,2 milhões de sacas, 16% abaixo do total embarcado em igual período do ano passado. A receita cambial caiu 23% no período, com o preço médio passando de US$ 186,36/saca de janeiro a julho do ano passado para US$ 171,56/saca nos primeiros sete meses deste ano. A Abecafé estima que as exportações este ano devem atingir 16,3 milhões de sacas, com receita cambial de US$ 2,3 bi.
Clac/fôlego





