-O comportamento das principais commodities agrícolas não chegou a ser afetado, ontem. pela turbulência no mercado asiático - devastador sobre outros setores, inclusive o mercado acionário brasileiro. A soja fechou em alta depois de um longo período em queda, por conta do comportamento favorável do clima à safra norte-americana, uma das maiores dos últimos anos.
-Que os grandes fundos de pensão vão abrigar seus investimentos nas commodities agrícolas, puxando especulativamente o mercado, ninguém deve ter dúvida. Para tanto, não precisa mais que um prenúncio de que na segunda-feira eles entrem comprando. Mas, o mercado de papéis cai com o mesmo ímpeto que sobe. Assim, se a orientação, até ontem, era para não vender soja antes de setembro, a sugestão pode mudar, se o preço passar do patamar atual de R$ 13,00/saca. Afinal, o período de baixa é longo: vai até o final da comercialização da safra dos Estados Unidos que mal começou.
-Até ontem à noite, operadores de cooperativas do Paraná e de empresas de consultoria, não tinham assimilado bem a extensão do impacto da turbulência. Mas, concordam que o pregão de segunda-feira será o mais esperado e muita gente vai acompanhar bem cedo o comportamento de Chicago. O café, com um quadro melhor delineado estará menso suscetível.
-Com a soja bem ancorada no aumento da safra norte-americano, os agentes econômicos ficam assistindo apenas o comportamento do mercado de ações e capitais. A Bolsa de São Paulo fechou ontem em queda de 3,82%, após ter amargado uma baixa de mais de 4,77% durante o pregão. Por conta da crise asiática, o Índice Bovespa acumula uma desvalorização de 12,96%.
-É ilusório, porém, achar que nossas commodities não serão afetadas. A longo prazo, direta ou indiretamente, soja, café e sucos de laranja, serão afetados. No mínimo vão ver que a crise mundial adiou ou atrasou qualquer alteração cambial, tão esperado pelo setor exportador. Ontem mesmo, os técnicos admitiam -alguns davam como certa - a suspensão, ou adiamento do processo de ajuste (desvalorização) do câmbio. A instabilidade em torno do iene japonês e os temores de desvalorização das moedas locais da China e de Hong Kong têm obrigado a equipe econômica a adiar o projeto de iniciar um processo gradual de redução das desvalorizações do real. Uma desvalorização destas moedas provocará uma valorização do real, lembrou uma fonte da área econômica do governo em entrevista à ‘‘agência Estado’’.
-As exportações brasileiras, neste contexto, tenderiam a perder ainda mais competitividade no mercado internacional se o real passasse a sofrer reduções periódicas em seu valor frente ao dólar norteamericano em menor proporção do que é feito atualmente. A consequência direta seria uma deterioração das contas externas do País, que têm sido fonte de boas notícias desde que o Banco Central conseguiu debelar o ataque especulativo contra o real no final do ano passado. (Leia mais nas páginas de Economia)


Soja

mockup