Oswaldo Petrin
-Os leitores telefonaram nos últimos dias solidários com nosso artigo (A inércia do desemprego) sobre o programa de geração de empregos do governo. Se o governo realmente quisesse amenizar a crise do desemprego, deveria investir na agricultura, que dá resposta mais rápida e porque o problema social no campo não é menor do que nos centros urbanos, onde fica mais exposto.
-E, ontem, foi anunciado o novo pacote de medidas de combate ao desemprego (leia notícia neste caderno de Economia). Em tempo de campanha polítida, alvo de muita crítica e poucos elogios. Convenhamos que, esperar a aprovação dos economistas da Unicamp também já seria demais. Mas não foram apenas os economistas políticos - de espectro ideológico pendendo mais para a esquerda - que criticaram. Os agentes econômicos também receberam com ceticismo.
-O que dizem os economsitas: eles acham que a flexibilização das regras do
mercado de trabalho, sem vir acompanhada de um estímulo ao crescimento
econômico, é uma alternativa ineficaz para a geração de empregos e pode
levar a uma precarização dos direitos trabalhistas. São medidas pontuais, tímidas e de baixa eficácia , afirmou à Agência Folha o professor Márcio Pochmann.
-Já o professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), Hélio Zylberstajn, é mais otimista. As medidas são positivas. Não vão ter efeito imediato no mercado de trabalho mas aumentam a disposição do empregador a contratar a mão-de-obra, disse.
-O governo tem que tentar reverter o quadro, se não quiser que o problema transpareça na sua campanha eleitoral, de forma contundente. Os indicadores não são nada otimistas. O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Ponti, voltou de Brasília preocupado com o que pode ocorrer com a agricultura, a julgar pela interpretação do governo ao desempenho do setor (veja nesta página). E ontem saíram os resultados do desempenho do setor industrial em junho: desalentador. Para uma economia que precisa crescer pelo menos a 4,5% ao ano, projeta-se um desempenho apenas tímido.
-Seguinte: a produção industrial teve redução de 1,5% em junho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda, ocorrida logo após um crescimento de 4,2% em maio, fez com que o o índice relativo aos últimos 12 meses ficasse estável, com crescimento somente de 0,9% neste período. Apesar da redução, o nível de produção de junho foi o segundo mais alto do ano, e ficou 1,1% acima do nível médio de 1997. A comparação de junho deste ano com o mesmo mês de 1997 mostrou que o índice de produção industrial ficou praticamente estável, com aumento 0,2%. A estabilidade também marcou a produção industrial do primeiro semestre do ano, quando foi registrada uma queda de apenas 0,2%.
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