Oswaldo Petrin
-Depois de definir a quantidade de café que pretende reter (7 milhões de sacas), através de financiamentos à produção e torrefações - para evitar achatamento repentino de preços -, o governo decidiu, ontem, que destinará R$ 250 milhões para estocar leite e manter os preços na ponta da produção. Duas medidas de suporte ao mercado de produtos que têm função social e papel importante no abastecimento. Resta saber como será operacionalizado este crédito e quando ele vai apresentar o efeito desejado. Em geral, o objetivo nunca é totalmente atingido. Os recursos chegam com atraso, a distribuição é falha e os agentes financeiros estão sempre aguardando as instruções.
-O ministro da Agricultura, Francisco Turra, disse ontem que o governo vai adotar medidas para evitar a queda de preços do leite na safra que começa em outubro, destinando R$ 250 milhões para financiar a estocagem do produto. O grupo de coordenação de Política Agrícola do governo aprovou ontem a proposta de um voto a ser encaminhado ao Conselho Monetário Nacional (CMN) este mês definindo as condições desta linha de crédito dirigida às indústrias e cooperativas.
-Segundo o ministro, a expectativa do governo é reter cerca de 1 bilhão de litros de leite da produção nacional, estimada em 19 bilhões de litros de leite in natura. A estocagem deverá ser feita com leite em pó e queijos. No ano passado, quando os preços do leite caíram muito também em função das importações, o governo aprovou uma linha de crédito de R$ 120 milhões, liberada de fevereiro a abril deste ano.
-O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, disse à repórter Mariângela Herédia, da AE, que o voto do CMN vai fixar os limites dos empréstimos para evitar que apenas grandes empresas tomem os recursos disponíveis. O dinheiro para esta linha de crédito virá das exigibilidades bancárias - parcela de 25% dos depósitos a vista que deve ser aplicada no crédito rural, e os beneficiados terão 180 dias para o pagamento.
-Outra medida aprovada pelo governo para ajudar a enxugar o mercado de leite é a inclusão do produto em pó nas cestas de alimentos distribuídas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a partir de outubro. De acordo com o ministro, a Conab vai tentar comprar, através de leilão, cerca de 2 milhões de quilos de leite por mês. No primeiro semestre, o governo tentou incluir o leite em pó nas cestas da Conab, mas os preços estavam elevados por causa da entressafra e a proposta teve de ser adiada.
Soja/reunião





