Oswaldo Petrin
-Dirigentes de bolsas de cereais e mercadorias assinam hoje, em Brasília, com o Banco do Brasil, contratos de concessão para vendas de terceiros. O governo está apoiando e incentivando a comercialização em bolsa, tentando impulsionar o sistema de vendas antecipadas, uma forma de canalizar recursos para a produção.
-O presidente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML), Antônio Abrão, disse ontem que o anúncio do diretor de Crédio do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, na segunda-feira, de que pretende reter 7 milhões de toneladas de café - para manter o mercado enxuto, evitando a concentração de ofertas que derruba o preço - repercutiu bem no mercado e que os preços reagiram ontem, por conta da decisão (tipo 6, duro, R$ 135/sc, contra R$ 115 em julho). A retenção trará equilíbrio ao mercado, diante de previsões de uma grande safra. As previsões são de 35 milhões de sacas (pelo USDA) e 33,9 milhões de sacas pelo próprio governo.
-Ontem, em São Paulo, as indústrias reclamavam da escassez de oferta: o chamado Índice de Oferta de Café para a Indústria (IOCI), calculado pelo Sindicato da Indústria de Café de São Paulo (Sindicafé), ficou em 4,07 pontos percentuais na semana de 27 a 31 de julho, muito superior aos valores registrados no final de junho, retornando ao nível de oferta seletiva e traduzindo grande dificuldade das indústrias para compra de café.
-Segundo o presidente do Sindicafé, Nathan Herszkowicz, ao repórter Venilson Ferreira, da Agência Estado, as indústrias enfrentam uma situação inusitada e grave, em função da súbita retração da oferta de café, em plena época de inverno, quando as vendas tendem a crescer. O desabastecimento das torrefações, em plena safra do produto, resulta da reação do mercado às recentes medidas de apoio ao controle do fluxo da safra, sugeridos pelo Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC) e aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional.
-Herszkowicz ressalta que o desabastecimento vem acompanhado de uma alta vigorosa nos preços do café verde, hoje na casa dos R$ 150,00/saca, criando mais um problema adicional para as indústrias que já haviam reduzido seus preços de venda. Na opinião do presidente do Sindicafé, se a sustentação de preços era um efeito desejável para o agronegócio, o desabastecimento das torrefações é um não merecido castigo para este segmento e para o consumidor final.
-Nathan Herszkowicz defende a realização de leilões dos estoques oficiais em quantidades maiores, como solução mais simples para garantir a normalização das operações das indústrias. Este é o momento de encontrarmos o caminho para regular o fluxo da safra, garantindo bons preços, mas sem prejudicar de novo a indústria de café nacional, afirmou Herszkowicz.
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