-A imprensa divulga neste início de semana ‘‘mais uma rodada de discussões’’ entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e seus ministros do Trabalho e da Casa Civil, sobre como criar empregos. O governo também quer rever aspectos da legislação trabalhista que limita o mercado de trabalho.
-Burrice ou cinismo? Se o governo realmente estiver a fim de gerar emprego, deve começar pelo setor primário da economia, que dá respostas mais rápidas a investimentos neste sentido. Isto não se discute com dois auxiliares, mas num pacto mais amplo com setores produtivos. Porém, se o governo quiser ser mais objetivo e ágil, não perdendo tempo com discussões, então é só ligar para a Faep, em Curitiba. Em meia hora terá uma série de idéias para implementação de atividades na agricultura que criarão novos empregos. Em poucas horas, o plano estará no papel, e será viável. E se quiser mesmo começar pelo setor mais prático, pode, ainda, ligar para a Fetaep e terá uma assessoria para estancar problemas sociais no Paraná, que não é diferente dos demais Estados.
-Convenhamos que nossa legislação trabalhista, como disse FHC, no sábado, é coorporativa, do tempo de Getúlio, etc. Mas o problema é mais amplo. Com crédito, juros honestos - a taxas compatíveis com outros indicadores da economia -, o agricultor vai buscar a mão-de-obra sem ter tempo para discutir a lei. Com paridade cambial, mercado livre, porém sem a concorrência de produtos subsidiados, o agricultor fecha os olhos e finca o pé na terra. Ele é competente. Em soja, da porteira para dentro, por exemplo, o produtor brasileiro é mais competitivo que o norte-americano; depois que o produto sai da porteira da fazenda, o custo Brasil se encarrega de fragilizá-lo.
-Uma vez amenizado o problema social no campo, o que não leva mais do que três ou quatro safras, pode partir para a questão urbana. As coisas não são excludentes, pode atacar os dois setores simultaneamente. Sem falar que no agronegócio as coisas se complementam. Se recuperar a área plantada de algodão, por extensão vai reativar a agroindústria.
-O governo tem mesmo que quebrar a inércia e tentar fazer alguma coisa. Mesmo que tarde. Ainda ontem, um diagnóstico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), no seu Informe Conjuntural de julho, revelava um dado preocupante: a recuperação da economia brasileira está mais lenta do que se esperava e há dificuldades de sustentação na retomada do crescimento. No final do primeiro semestre surgiram claros indícios de dificuldades na sustentação da recuperação, por conta do consumo ainda retraído, principalmente no segmento de bens de consumo duráveis. Assim, a perspectiva de crescimento da economia no médio prazo é modesta. A baixa expectativa quanto à expansão da economia está ligada tanto à produção quanto às vendas de bens duráveis. A causa reside na dificuldade de ampliação do consumo das famílias, decorrente do pouco crescimento no rendimento das pessoas e do desemprego.

Agroceres

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