Oswaldo Petrin
-Há quase três meses da sua aprovação, o Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop) continua obscuro quanto à aplicação dos recursos. Sabe-se que o valor é grande, mas é dividido entre cooperativas de todos os Estados. No caso do Paraná, as próprias cooperativas não sabem como será aplicado dinheiro e nem todas concluíram o organograma de seneamento financeiro e administrativo que as habilita ao benefício. Ou sabem mas preferem a discrição. Não se sabe ao certo quais e quantas cooperativas serão contempladas; nem o valor que irão receber, em parcelas. Outra questão a ser elucidada é o custo desse empréstimo. Há quem diga que é quase a fundo perdido, uma mamata. Mas dizem também que é uma bomba-relógio como a securitização.
-Ontem, o Ministério da Fazenda informou sobre a divulgação das regras. O governo vai divulgar, semana que vem, as regras para a implementação do Programa tambémchamado Proer da Agricultura. Segundo o assessor do ministro da Fazenda para a área agrícola, Gerardo Fontelles, o Recoop deverá contar com R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões para a renegociação das dívidas das 438 cooperativas que tiveram suas cartas-consulta aprovadas e para financiar novos investimentos e capital de giro.
-As regras vão definir o volume total de recursos para o programa, as fontes de dinheiro e as condições de prazo e taxas de juros. Queremos divulgar as instruções do Recoop o mais rapidamente possível, pois as cooperativas precisam estruturar-se para a safra agrícola 1998/99, disse Gerardo Fontelles. Ele informou que o Ministério da Fazenda ainda avalia o melhor instrumento para a divulgação das normas, aguardadas com grande expectativa pelo setor, segundo o diretor-executivo da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Amilcar Gramacho.
-A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) reuniu as organizações estaduais para prepará-las a orientar as cooperativas nos projetos técnicos que deverão ser apresentados ao governo, no âmbito do Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop). Mas precisamos que o governo divulgue as regras para fazer os projetos, insistiu o presidente da OCB, Amilcar Gramacho, em entrevista à repórter Mariângela Herédia, da Agência Estado. De acordo com o assessor do ministro da Fazenda para a área agrícola, Gerardo Fontelles, o prazo da renegociação dos débitos vai depender do tipo de endividamento de cada empresa.
-O setor estima que as dívidas atingem R$ 2 bilhões, dos quais R$ 1,8 bilhão nos bancos e R$ 200 milhões são débitos fiscais e com fornecedores. A OCB acredita que o volume total de recursos necessários chegue a R$ 4 bilhões, mas o assessor do Ministério da Fazenda garantiu que o Recoop não chegará a este valor, podendo ficar em cerca de R$ 3 bilhões.
Soja





