-A reunião do Conselho Monetário Nacional não apreciou o ‘‘voto’’ que tratava da desoneração de vários produtos, entre eles os adubos fosfatados de produção interna e a queda de juros sobre alguns lácteos e itens da cesta básica, que certamente esbarrariam nas decisões do Conselho de Política Fazendária (Confaz). Nem recebeu colocou em pauta a proposta dos exportadores de carne bovina sobre a isenção de tributos no mercado interno, como forma de redução do custo Brasil. Também ficou para a reunião de setembro - a ser convocada - plano de aporte de recursos complementares para destilarias de álcool e agroindústria algodoeira.
-No caso da carne bovina, a proposta é de incentivo à produção e exportação. O setor promete que as exportações brasileiras de carne bovina podem dobrar até o final deste ano se o Brasil ganhar novos mercados como Rússia e Chile, por exemplo, e se o governo desonerar os produtos da cesta básica de PIS/Cofins e ICMS no mercado interno. Este é o gargalo que impede uma resposta mais contundente da indústria, segundo Antonio Russo Netto, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas (Abiec), em entrevista à Agência Estado, referindo-se à carga tributária que incide sobre o setor. A idéia é transferir o diferencial para os preços, na proporção equivalente, aumentando o poder de concorrência.
-Segundo a Agência Estado, o pedido de isenção foi encaminhado ontem ao secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Roberto Mendonça de Barros. ‘‘Se a reivindicação do segmento for atendida poderemos dobrar as vendas externas já neste ano’’, afirma. Para ele, a desoneração tributária no mercado interno possibilitaria à indústria destinar recursos às exportações.
-O setor quer aproveitar o embalo da boa performance das exportações ano passado e primeiros meses deste ano. As vendas externas já cresceram 41% no primeiro semestre sobre o mesmo período de 1997. A receita atingiu US$ 264 milhões ante os US$ 186,9 milhões. O volume embarcado para o mercado externo também registrou alta acentuada. Entre janeiro e junho deste ano foram vendidas 90,3 mil toneladas, 40% superior às 64,6 mil toneladas exportados no primeiro semestre de 1997.
-O crescimento nas vendas, explica Mario Mascitto, diretor da Abiec, se deve aos preços competitivos praticados no mercado interno, com liberação por parte dos pecuaristas. Os preços oscilaram US$ 0,85 por quilo vivo, enquanto no Uruguai chegou a US$ 1,20 e na Argentina a US$ 1,10.
-Apenas no mês de junho as exportações brasileiras de carne bovina tiveram um aumento de 19,35%. Foram exportadas 37 mil toneladas contra 31 mil toneladas vendidas em maio, gerando uma receita de US$ 60 milhões.


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