Oswaldo Petrin
-Os subsídios, que obstruem os sonhos de livre comércio dominantes no mundo, ameaçam impedir que o Mercosul conclua sua integração comercial e estabeleça acordos com outros blocos, como a União Européia (UE). Sua presença, que falseia a competitividade ou serve de simples pretexto, é um obstáculo ao acordo para que o Mercosul seja um mercado sem fronteiras para carros e açúcar, suas duas grandes diferenças em se tratando de bens materiais, que não puderam ser resolvidos na Cúpula de Ushuaia, na semana passada.
-A Argentina acusa o Brasil de subsidiar açúcar através de seu programa de álcool que substitui a gasolina e de conceder incentivos fiscais para atrair indústrias do setor para seu território. Com a aprovação de uma lei que impede reduzir a tarifa de 20% sobre o açúcar brasileiro enquanto existam subsídios, o parlamento argentino congelou o assunto, o que trava a proposta brasileira de incluir o produto no regime deadequação especial, com diminuição tarifária gradual além do ano 2000. A questão é que com custos mais baixos, o açúcar brasileiro invadiria o mercado argentino e agravaria o desemprego na zona açucareira do norte do país, já bastante atingindo por problemas sociais.
-No caso da indústria automobilística, os incentivos fiscais e financeiros foram oferecidos por governos estaduais e municipais do Brasil. Os estados brasileiros não compartilham do compromisso do governo central com o Mercosul, constatou o ministro da Economia da Argentina, Roque Fernández, que teme a fuga das indústrias instaladas em seu país para território nacional. O governo brasileiro aceitou que se aplique a tarifa externa comum de 35% sobre os veículos produzidos nas unidades que recebem incentivos fiscais, considerando-os como produtos fora do Mercosul.
-Isso pode resolver o problema comercial, mas não o de investimentos e desenvolvimento industrial. A Argentina resiste a uma divisão do trabalho no Mercosul, em que seja provedora de produtos primários, enquanto o Brasil industrializa. Os principais produtos argentinos de exportação para o Brasil são petróleo e trigo. Já o Mercosul aparece como um grande impulsionador das exportações industriais brasileiras.
-A UE gastará entre US$ 5,6 bilhões e US$ 15,6 bilhões por ano para compensar seus agricultores pelas mudanças na política agrícola. o Mercosul somente é uma potência mundial em agricultura. Sua produção anual de grãos se aproxima das 150 milhões de toneladas por ano.
-A abertura do mercado europeu a esta produção é indispensável para que o Mercosul reequilibre o intercâmbio bilateral. De 1990 a 1996, suas exportações para a UE tiveram crescimento de apenas 9%, enquanto as importações aumentaram 75%, segundo dados da própria UE. Como consequência, o superávit que o Mercosul obteve em 1990, de US$ 8,4 bilhões, se converteu em déficit de US$ 3,628 bilhões em 1996. (Agência Estado).
Boi gordo





