Oswaldo Petrin
-Os dados do setor de alimentos divulgados ontem - através da Agência Estado - não oferecem apelo eleitoral para a oposição, mas revelam lado vulnerável do Real. A indústria de alimentos registrou queda de 2,9% na produção física nos primeiros cinco meses de 1998 sobre o mesmo período do ano passado, com retração de 1,2% no acumulado dos últimos doze meses até maio. O resultado foi anunciado ontem pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). O economista da entidade, Dênis Ribeiro, revelou que os negócios despencaram em maio, se comparado ao mesmo mês de 1997: -6,9%. O setor de bebidas como um todo foi campeão na queda de vendas entre os meses de janeiro e maio, recuando 5,9% sobre o período anterior. Mas as bebidas não-alcoólicas exibem aumento de 14,6%, afirma Ribeiro. Produtos lácteos ficaram quase no mesmo patamar das bebidas, despencando 4,1%. Carnes e derivados registraram queda de 0,5%.
-Ribeiro diz que diante deste cenário, a Abia reviu para baixo o resultado deste ano. Em dezembro, o setor projetava um crescimento de pelo menos 3%. Segundo o economista, o ano deverá fechar com aumento em torno de no máximo 1,3%. Pelos seus cálculos, só seria possível manter essa tendência de 3% se nos dois próximos trimestres houvesse uma explosão nas vendas. É impossível uma recuperação diante de um cenário em queda, afirma. Altas das taxas de juros e queda do poder aquisitivo foram os fatores apontados como principais fatores responsáveis por tais resultados. As empresas filiadas à Abia faturaram no ano passado US$ 71,5 bilhões, o correspondente a 9,1% do PIB.
-Para contrabalançar, a mudança de hábitos do consumidor está realçando outros setores que até recentemente tinham um resultado tímido no mix. Os produtos semiprontos e prontos para serem consumidos exibem resultados exuberantes. Os desidratados e supercongelados obtiveram um salto de 19,2%, seguido de bebidas não-alcoólicas com 14,6% e massas e confeitos com 0,6%. Para se ter uma idéia de como o segmento de supercongelados vem aumentando, a importação de máquinas e equipamentos para embalagens e produção destes produtos quintuplicou de 1995 para cá na Bralyx Equipamentos para Produção e Embalagens de Alimentos. O mercado está ávido de investimentos e só não investe mais por falta de capital de giro, afirma Gilberto Poleto, dono da Bralyx.
-Prova disso é que, na Feira Internacional de Alimentos, Poleto comercializou um volume referente a pelo menos quatro meses de vendas. A Bralyx opera com máquinas e equipamentos para produzir e embalar massas, pizzas, coxinhas e outros tipos de congelados. Nestes cinco anos importamos mais de 20 tipos de linhas diferentes para pizzas e massas frescas, afirma.
-Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) revelam que as vendas acumuladas de janeiro a maio registraram alta de 2,16%. Em maio, cresceram 0,21% sobre o mês anterior. Em comparação a idêntico período de 1997 houve incremento de 4,87%.
Preços médios





