Oswaldo Petrin
Oswaldo Petrin
Cursos da moda
-O Serviço Brasileiro de Apoio à Micro, Pequena e Média Empresa (Sebrae) vai estender o seu programa de qualidade empresarial ao campo, com o objetivo de tornar os produtos do setor rural mais competitivos, dentro da meta governamental de ampliar as exportações agropecuárias de US$ 18,8 bilhões para US$ 45 bilhões até 2002. No dia 4 de agosto serão lançados dois novos produtos: o De olho na qualidade rural, já testado em experiência-piloto no Paraná, e o Qualidade total rural, desenvolvido em Santa Catarina.
-O Sebrae deve ter uma proposta realmente eficaz, afinal, de uma só vez vai disputar espaço com a Embrapa, instituições estaduais, sistema Emater e Senar, sendo que este último vem executado um programa ousado de treinamento de mão-de-obra que, em última análise visa qualidade. Não significa, necessariamente disputa de recursos, já que o Sebrae tem como fonte o setor privado.
-São programas que começam pela melhoria do convívio da família que gerencia o empreendimento rural e vão até a agregação de valores ao produto primário, passando pelas compras de insumos e a escolha de mercados para a colocação dos produtos.
-Segundo o presidente do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae, Pio Guerra - em entrevista à repórter Mariângela Herédia, da Agência Estado, os programas pretendem levar ao produtor rural a capacitação tecnológica e gerencial e transformá-lo num empresário rural. É um trabalho que se fundamentou nos outros programas de melhoria de qualidade do Sebrae para a indústria e o setor de serviços, adaptado para uma nova clientela, que já foi aplicado com sucesso nos estados do Paraná e Santa Catarina, explicou.
-O primeiro passo dos programas é a identificação das clientelas, o estudo da infra-estrutura e o aproveitamento das potencialidades naturais. Abra sua porteira para a qualidade e colha bons lucros, é o principal apelo dos programas de melhoria da qualidade que o Sebrae vai estender para as suas 27 unidades em todo o País, através de 54 técnicos multiplicadores já treinados em cursos específicos.
-Todos os programas de apoio ao agronegócios, principalmente em gerência, são bem-vindos. Mas é bom não cobrar resultado. Não agora, pelo menos. Não há capacitação que habilite o produtor a concorrer com outros blocos econômicos cujos países subsidiam sua agricultura e utilizam outras formas de incentivo à produção e exportação. Por enquanto, a agricultura brasileira precisa de alguém que ensine ao governo o caminho da redução dos juros e disponibilize mais recursos. As frases de efeito do Sebrae não terão eco se o governo não resolver conhecidos gargalos do custo Brasil, por exemplo. Que precisamos gerência, não há dúvidas. Há duas agriculturas, a empírica e a competente. As duas estão quebradas. Ou se resolve o problema financeiro. Ou ficamos aí nos cursinhos tipo Valita. (Quem se lembra?), ou nas receitas de bolo.
Debate
-O secretário de Política Agrícola, Benedito do Espírito Santo, e o diretor de Crédito Rural do BB, Ricardo Conceição, participam hoje, em Curitiba, de teleconferência sobre Plano Agrícola e Instrumentos de Comercialização da safra.
Via satélite
-A teleconferência começa às 8h40 e vai até às 10h40, no auditório do Senar-PR, à rua Marechal Deodoro, 450, 15º andar, centro de Curitiba. É promovida pela Faep. Pode ser assistida pelo Canal Rural.
Impossível
-O governo anunciou a meta de atingir uma produção de 100 milhões de t de grãos até o ano 2000. Com uma política tímida, boicotada pelas amarras tecnocratas, dificilmente chegará a este patamar.
Juros
-O Plano de Safra 98/99 prevê um aumento de R$ 2 bi nos recursos destinados ao custeio, chegando a R$ 10,5 bi, além de conter uma redução de 0,75% nos juros para pequenos, médios e grandes produtores.
Clareza
-Vale à pena assistir ao debate. Os técnicos do governo vão ter de usar de muita clareca. Após exposição do plano, diretores e técnicos da Faep devem formular questionamentos. Ninguém quer se iludir com promessas.





