-Qualquer coisa que se faça neste momento será incapaz de reverter o quadro já definido para o trigo. Até porque muito pouco ou nada será feito. No entanto, para os produtores de sementes que vão amargar os prejuízos do excedente, pelo menos uma notícia boa: a prorrogação do prazo da parcela de custeio.
-O grupo de Coordenação de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, decidiu ontem prorrogar para 30 de abril o pagamento dos financiamentos de custeio para o trigo. A medida deverá ser ainda referendada pelo Conselho Monetário Nacional. O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, explicou que a decisão foi tomada porque a maioria dos produtores ainda não conseguiu comercializar safra, ‘‘mesmo com os bons resultados obtidos nos leilões de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), nos quais até agora já foram vendidas quase 500 mil toneladas de trigo’’.
-O total de financiamentos de custeio do trigo é de R$ 160 milhões, e a produção brasileira nesta safra chegou a 3,011 milhões nos três Estados do Sul, segundo o coordenador do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), Luiz Antônio Rosseti. O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, considerou excelentes os resultados da produção nacional, atribuindo-os principalmente ao zoneamento agrícola feito pelo seu ministério.
-O coordenador do Proagro informou à ‘‘Agência Estado’’ que a produtividade média do Rio GRande do Sul, que era de 1.240 quilos por hectare, aumentou em 50%, passando para 1.740 quilos por hectare, numa produção total de 987 mil toneladas na safra. O Paraná, maior produtor brasileiro, chegou perto da produtividade argentina, com 1.970 quilos por hectare e 1,9 milhão de toneladas colhidas. Santa Catarina produziu 89 mil toneladas de trigo, com produtividade média de 1.370 quilos por hectare.
-Ainda na reunião de ontem, o grupo de Coordenação de Política Agrícola do Ministério da Agricultura decidiu autorizar o Banco do Brasil a destinar R$ 18 milhões a Empréstimos do Governo Federal (EGF) para sementes, principalmente de milho e soja, e para as culturas de uva e castanha, que, segundo o ministro Arlindo Porto, estão com os preços abaixo do mínimo. O ministro informou também que o governo vai começar a fazer Aquisições do Governo Federal (AGF) de pequenos produtores de trigo com dificuldade de escoamento do produto.
-As estimativas são de que haverá necessidade de compra de 100 mil toneladas de trigo. Segundo Porto, cerca de R$ 16 milhões já estão garantidos para essas operações. O ministro disse ainda que o grupo de Coordenação de Política Agrícola já aprovou as operações de AGF para os pequenos produtores de milho, a fim de garantir o preço mínimo de R$ 6,70 por saca de 60 quilos, mas observou que ainda é cedo para iniciar as compras, porque o que existe é excesso de milho nas mãos de atravessadores, que querem especular com a queda de preços.Porto/Neco

mockup