-Se os juros do crédito para a produção não se adequarem às taxas internacionais, vai haver forte quebradeira na agricultura. O alerta vem sendo feito pelo presidente do Sindicato Rural de Londrina, o engenheiro agrônomo Edison Mazei Ponti. E, terça-feira, também o Conselho Regional de Economia (Corecon) fez observação neste sentido, só que referindo-se ao setor industrial, de forma macro e embutindo aí a variável educação.
-Segundo o Corecon, taxa de juros alta e atraso na implantação das reformas, aliadas à falta de uma política específica para a indústria e para a educação, são os maiores entraves ao bom desempenho da indústria nacional, segundo diagnóstico apresentado na Carta de Conjuntura sobre ‘‘A produtividade na indústria brasileira’’. Divulgada terça-feira pelo Conselho Regional de Economia (Corecon), a Carta reúne artigos de quatro especialistas no setor: os professores Luciano Coutinho (Unicamp), Paulo Furquim Azevedo (Universidade Federal de São Carlos) e Paulo Antonio (Imes-Fundação Santo André/Ciba) e o consultor de Mckinsey & Co, William Jones.
-É verdade que alguns desses professores da Unicamp têm atuação política e atua em direção oposta à linha do governo, mas isto não reduz a correção e a oportunidade do alerta expresso no documento. Para Coutinho, ‘‘a indústria sofreu com a abertura e a valorização da taxa de câmbio e juros’’ porque não houve o acompanhamento de ‘‘uma política industrial, tecnólogica e de comércio exterior’’. Em debate promovido para divulgar o documento, Coutinho afirmou que, ‘‘para tornar a indústria competitiva, o grande desafio é baixar a taxa de juros’’. Ele acredita, porém, que durante o período eleitoral o governo não ‘‘discutirá projetos de reforma’’.
-Embora o comentário dos professores paulistas não acrescente nenhuma novidade a todas as análises e documentos redigidos neste sentido, nunca é demais manter viva a questão. Até porque todo o setor concorda com o argumento. o professor Paulo Furquim concorda que há falta de vontade política. Mas questiona: ‘‘É possível criar mecanismos para aumentar a produtividade no setor industrial, mas será que o governo vai optar por essa estratégia?’. As frequentes alterações da regras da política econômica e a falta de investimento em tecnologia prejudicam o crescimento sustentado do setor.
-Na opinião de Paulo Antonio, outro ponto na busca da sobrevivência e da produtividade é a adaptação ao mercado globalizado. Mas sem tecnologia e mão-de-obra qualificada, ocorrerá a internacionalização da economia brasileira. Ele citou estudos que mostram que 70% da população não reúne capacidade para suprir o atual mercado em transformação. Saída imediata: com relação à geração de empregos em carater de emergência e distribuição de renda, os técnicos sugerem investimentos na agricultura, o único setor capaz de dar respostas imediatas.


Dívidas

mockup