-Falou-se tanto sobre a queda das taxas de juros e, depois de alguns dias de expectativa, veio a decepção do consumidor, ao saber que o anunciado não estava refletindo nas suas compras a prazo; nem no tamanho dos valores abocanhados pelas financeiras ou bancos com os quais, imprudentemente, o consumidor fez contrato de financiamento de um bem ou um simples empréstimo pessoal.
-O governo joga com a desinformação ou com a falta de clareza. Neste caso, esqueceram de esclarecer ao consumidor que a queda anunciada pelo governo refere-se aos juros primários , das aplicações. É ilusório achar que o mesmo diferencial que queda desses juros de mercado é transferido para operações de financiamento em crédito direto ao consumidor ou em crédito pessoal, em que se acrescenta um imáginário contrato de risco.
-O mesmo equívoco ocorre no caso do imposto de operações financeiras (IOF). O governo anunciou dias atrás a queda do IOF de 15% ao ano para 6%. Consumidores desavisados podem achar que é hora de sair às compras, porque agora as condições estão bem menos pesadas. Moral da história: mesmo com a propalada redução das taxas, financeiras ainda chegam cobrar 14% ao mês, quando a inflação de um ano inteiro pode ficar em 3%. E não há perspectiva de que as taxas caiam no curto prazo. Para que isso ocorra, é preciso que a inadimplência diminua muito. Mesmo no segmento de carro, em que os juros são mais civilizados, na faixa de 2% a 3% ao mês,o corte do IOF não vai trazer grandes alterações.O motivo é que nesse mercado o financiamento predominante é por meio de leasing, que é isento de IOF.
-Em São Paulo já andaram fazendo os cálculos: A diminuição do IOF, segundo lojistas ouvidos pela ‘‘Agência Folha’’, ontem, vai reduzir de R$ 1 a R$ 3, em média, o valor da prestação de um eletroeletrônico e de R$ 10 a R$ 30 de um veículo. ‘‘Não é uma queda expressiva.
-Se os juros também caírem, pode-se ver algum efeito na venda a crédito, diz Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo. A queda do IOF tem, num primeiro momento, um efeito mais psicológico do
que efetivo. ‘‘Não deixa de ser uma medida do governo na direção certa,
pois a intenção é reduzir o custo do financiamento. Mas os juros têm de
baixar e isso depende muito do comportamento da inadimplência.’’ As vendas a prazo, segundo Alfieri, estão, por enquanto, em ritmo lento. Do dia 1.o a 12 deste mês, as consultas ao SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), termômetro das vendas a prazo, caíram 21,5% na comparação com igual período de 97. As consultas ao Telecheque, indicador das vendas à vista, cresceram 2,6% no período.
-Para o varejo fica a sugestão: quem quiser vender bem, trate de usar a imaginação e ser eficiente. Quando ao consumidor, o melhor é aproveitar as promoções e pechinchar. Não esperem por reduções de juros ou taxas de imposto. Isto é para outro mercado.


‘‘El Ni¤a’’

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