-O governo ameaça recuar na questão dos juros e não conceder, pelo menos de imediato, a redução de 2,8% a 3,50% nas taxas cobradas para os financiamentos de máquinas atrícolas. Os juros para tratores, colheitadeiras etc, e armazenagem, cairiam de 14,5% para 10% ao ano. A proposta será apreciada na semana que vem pelo grupo de coordenação de política agrícola, que deverá encaminhar um voto ao Conselho Monetário Nacional (CMN) para a reunião do dia 30.
-O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa, informou que na reunião de ontem o grupo de coordenação decidiu avaliar melhor a proposta e apresentar sugestões na próxima semana. Segundo o secretário, o Ministério defende também a redução dos juros para a construção e modernização de armazéns. O fato é que a idéia da redução foi precipitada. As indústrias, estranhamente, não receberam bem a medida.
-Com relação à construção civil, a situação é diferente. É mais otimista. Ao contrário do que ocorre com as indústrias de máquinas que não apoiaram, de imediato, a redução dos juros, o setor da construção está na expectativa dos benefícios decorrentes da redução do IOF - imposto sobre operações financeiras.
-A redução do IOF cobrado nos empréstimos para a compra de imóveis não-residenciais está sendo vista como mais uma tentativa do governo para incentivar o setor da construção civil. Agora, as pessoas físicas e jurídicas pagarão a mesma alíquota de 1,5% quando tomarem um financiamento bancário para comprar esse tipo de imóvel. Ao incentivar a construção civil, o governo quer gerar empregos - a associação do governo FHC ao desemprego crescente é uma das armas da oposição na disputa eleitoral.
-De acordo com estudos técnicos, o setor da construção é o que reage mais rapidamente quando recebe recursos. No mês passado, o governo já anunciou várias medidas para incentivar esse setor. A primeira medida foi a redução dos juros cobrados nos empréstimos feitos pela CEF (Caixa Econômica Federal) para a área habitacional com recursos próprios. Os juros anuais foram reduzidos de 12% para 10,5%. Depois, foram anunciadas medidas para acelerar a liberação de R$ 6 bilhões em recursos da CEF, do Orçamento Geral da União e do FGTS.
-A expectativa é que o governo se empenhe mais na direção dos investimentos produtivos. Não se pode negar que alguns setores vão poder respirar depois da queda, ainda que tímida, das taxas de vários setores. Chegará a vez de um ajuste mais apropriado no âmbito das indústrias de tratores. Além de atender a uma nova política de fomento a atividade produtiva, há outro projeto a ser beneficiado: o do aumento da produção de grãos. (AE e Agência Folha).


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