-Cerca de 40% do déficit da balança comercial brasileira em 1996 foi causado pelo comércio agrícola com os países do Mercosul, diz a matéria principal desta página, com base em dados oficiais. Desde a formação do Mercosul, em 1990, o saldo da balança comercial agrícola tem sido negativo, principalmente por causa das importações de trigo da Argentina, soja do Paraguai, arroz da Argentina e Uruguai. Na avaliação de especialistas da área, a tendência é de continuidade do déficit, pois o Brasil seguirá importando estes produtos.
-Portanto, é bom que os economitas passem a se acostumar com dados dessa natureza. O presidente da FAEP, Ágide Meneguette previu desde a abertura oficial do mercosul que isto iria ocorrer. Mas os resultados da integração no Mercosul ainda são imprevisíveis. Não adianta temer apenas a pinha argentina, eleita como símbolo positivo da abertura vista pelo lado exclusivo de quem consome e não cria gado, nem planta um pé de milho. No momento em que a imprensa noticia o impacto da balança comercial, o milho paraguaio está entrando no Brasil com 8 meses para pagar, a juros internacionais baixos.
-O problema não é a abertura de mercado. Até porque para o consumidor (que é maioria) ela é benéfica. O gargalo é o tratamento que o governo dá ao produto nacional. Ignora os substanciosos subsídios norte-americanos e europeus aos produtos lá produzidos e faz vistas grossas ao ‘‘ferro’’ que leva da Argentina, por pura burrice cometida pelo grupo que coordenou o item alimentos. A tudo isto dá o nome de competitividade e competência. Repetidas vezes diz que o nosso produtor não é competitivo. Mas recusa discutir redução de juros ou introdução de subsídios, aqui chamados de privilégios. Quem tem um governo como o nosso, em termos de agricultura, não precisa ter o Mercosul como adversário. Adversário é a política agrícola.
-Mas os especialistas lembram que o dinamismo dos mercados pode alterar qualquer previsão e, enquanto isso, vão acompanhando os problemas que surgem com frequência. Na avaliação dos técnicos do Ministério da Agricultura, no entanto, a tendência é de cada um produzir o que for mais competitivo. ‘‘A Região Sul do Brasil, por exemplo, vai ter de encontrar sua vocação, porque continuar produzindo trigo pode ser arriscado’’, disse à ‘‘Agência Estado’’ um dos técnicos, lembrando que as excepcionais condições do solo argentino triplicam a produtividade obtida pelos brasileiros com o uso de fertilizantes.
-Eles avaliam que o Brasil é competitivo em frangos, maçãs, fumo e suínos e deve usar a tecnologia criada para isso. Algumas empresas brasileiras, como a Sadia, por exemplo, já estão instalando unidades na Argentina, para reduzir os custos de produção. Argentinos também já estão vindo produzir aqui, e muitas empresas binacionais estão sendo formadas. Temos os casos dos brasiguaios que estão produzindo soja no Paraguai e dos agricultores do Rio Grande do Sul que vêm recebendo estímulos para produzir arroz e trigo na Argentian, onde as terras custam em média 1/3 das brasileiras e são de melhor qualidade.

BCML/milho
-O presidente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML), Antonio Abrão, dá entrevista hoje, às 10 horas, na sede da Bolsa, sobre o lançamento do Contrato de Opções para comercialização de grãos. Lançamento será quinta-feira.
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