-O maior desafio do início de século é a falta de crescimento econômico que garanta: a) Criação de postos trabalho para absorção da oferta de mão-de-obra que cresce a ritmo frenético de 3,4% ao ano, no indicador de ingresso de indivíduos à população econômicamente ativa, b) Uma distribuição de renda (mínimamente cidadã) e oferta civilizada de vagas nas escolas, c) Produção de excedente exportável que reduza a dependência - quese escrava - de capital externo.
-A taxa desse crescimento teria de encostar em nada modestos 5% ao ano e ficar no justo calibre do crescimento da demanda social. Com freio de mão puxado pelos juros e desajuste cambial, qualquer projeção semelhante da real necessidade é exercício excessivamente otimista. Este ano, eleitoral e de cântico evocativo à vitória do Real, a economia brasileira cresce a modestos 2% e, mesmo assim, tem muita gente pedindo clareza (os dados podem ser enganosos) com relação aos critérios usados para determinar os cálculos.
-Na contramão do tratamento que os países emergentes devem dar aos setores primário e secundário, a economia brasileira cresce puxada pelo desempenho da indústria, segundo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), na sua Carta de Conjuntura de junho, divulgada dias atrás. Este resultado é inferior ao registrado no ano passado, quando o PIB expandiu-se em 3,2%, porém, em comparação ao comportamento da economia no final do ano passado e início deste, a trajetória é de recuperação, segundo economistas do Ipea.
-Os técnicos do Ipea, porém, admitem que há lugar para otimismo. É que, embora o percentual de crescimento seja modesto, trata-se de uma expansão mais saudável do que a de outros períodos. Pelo menos agora não é necessário depurar ou expurgar disfunções motivadas pela inflação monetária.
-Palavras do Ipea: atividade está aumentando em decorrência de investimentos e crescimento das exportações. Não estamos mais elevando o PIB por causa de consumo ensejado por mecansimos de crédito mais fartos, destaca. Desta vez, estamos crescendo e lançando as bases para manter a economia em expansão.
-E quem puxa esse crescimento?
-O setor de bens de capital, que vinha em rota de extinção, agora está se desenvolvendo. Os bens de capital, que foram os que mais sofreram com a concorrência com importados, aumentaram a produção em 7%, de janeiro a abril, em comparação com igual período de 97. As máquinas agrícolas o acréscimo foi de 15,7% e para equipamentos destinados à construção, nada menos do que 42%. A produção de bens de capital para transportes subiu 12%. Ele lembra que todo este movimento tem como motor os investimentos de empresas privatizadas, além de substituição de importações.


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