Oswaldo Petrin
-Todas as críticas ao Plano Real miram para as taxas de juros. Mas não há milagre que consiga reinternalizar dólar no País (cerca de 60 milhões/ano), sem uma taxa convidativa. Nem se o Brasil tivesse uma política de exportação consistente e bem estruturada, há pelo menos 10 anos, talvez pudesse se dar ao luxo de prescindir do capital especulativo.
-Convenhamos que o Banco Central também não precisa praticar as taxas mais altas do mundo.
-Mas os juros são malditos. Inimigos dos agricultores (e de todos que produzem), os juros altos são apontados como principal fator de insolvências do consumidor e das empresas.
-Não são apenas os juros, porém. A falta de ajuste cambial também pode ser considerada gargalo. Com câmbio supervalorizado em 30% fica difícil exportar, diz a agricultura. É por isso que economistas e empresários defendem ajustes no Plano. Agora, véspera de eleições. É ruim hein?
-O presidente da Associação Comercial de São Paulo, por exemplo, acha que se o ajuste não for feito, a tendência é a economia repetir no quinto ano do Plano Real o desempenho dos últimos 12 meses, quando prevaleceu política de crescimento e freadas bruscas provocadas pelas crises externas, conforme também prevê o economista da entidade, Marcel Solimeo. A cada freada e retomada do ritmo de atividade balizado pelas taxas de juros, as empresas e os consumidores ficam mais frágeis.
-Em algum lugar deste caderno o leitor vai ver que entre julho de 1994 e junho deste ano, as consultas para vendas a prazo em São Paulo cresceram 78% e a venda à vista e com cheque pré-datado mais que dobraram (118,5%). Nesse mesmo período, a inadimplência do consumidor aumentou 160%. No quarto ano do plano, a ACSP registrou 4,088 milhões de carnês em atraso e o estoque geral das dívidas não pagas, que leva em conta o resultado de anos anteriores, chega hoje a 6 milhões de crediários.
-O economista explica que alta da inadimplência era esperada com estabilização por causa da ampliação das vendas a prazo, do maior ritmo de atividade da economia e da dificuldade do devedor quitar as pedências que agora não são corroídas pela inflação. Mas, mesmo levando em conta esses fatores, o aumento foi maior do que o esperado por causa dos juros altos e das restrições econômicas, diz Solimeo (Agência Estado).
-O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, disse ontem que os produtores não têm o que comemorar no aniversário de quatro anos do Real. O Plano foi um desastre para o setor, pois o produtor teve uma redução de 30% em sua renda.
Milho





