Oswaldo Petrin
-Aconteceu o que alguns cerealistas do Paraná previram: a busca do lucro na especulação com feijão foi tão obstinada que empresas importadoras ignoraram a hipótese de normalização da oferta, mesmo sabendo que o mercado do feijão é talvez o mais imprevisível e dinâmico. Ontem, um operador da Bolsinha paulista que negocia o produto nos centros cerealistas do Paraná (Ivaiporã, Maringá e Apucarana) admitiu haver fortes indícios de quebradeira.
-Pelo jeito não é especulação. Mais cauteloso, o presidente da Associação Brasileira dos Cerealistas (Abrace), Manoel da Costa, previu ontem (AE) que as empresas que importaram feijão e ainda não receberam a segunda remessa terão que arcar com altos prejuízos. O produto que chegou a ter o preço majorado até 300% de fevereiro para cá faz trajetória inversa. A saca de 60 quilos de carioquinha bateu nos R$ 180,00 e está sendo comercializado a R$ a 60,00, afirma.
-A explicação é simples: a liberação da importação por parte do governo obrigou o agricultor a desovar o estoque e inundar o mercado do produto. O primeiro lote de 5 mil toneladas importado do Chile, Estados Unidos e Canadá chegou em meados deste mês, disse. O restante, 3 mil toneladas, está previsto para o dia 6. Segundo seus dados, a saca do produto importado que foi vendida no mercado interno a R$ 65,00 deverá chegar agora ao redor de R$ 80,00. O prejuízo será acentuado, reafirmou à AE.
- Banco New Holland O CMN aprovou na reunião de ontem a constituição, no Brasil, do Banco New Holland (grupo Fiat) e de uma empresa de leasing do mesmo grupo, ambos no Estado do Paraná. As duas instituições vão operar no financiamento de equipamentos agrícolas. O BC cobrou um pedágio de US$ 5 milhões na operação.
-Outra decisão do CMN: aprovou regras para inibir o endividamento público, em reunião realizada no Rio de Janeiro. A partir de hoje, todas as captações de recursos no exterior feitas por Estados, municípios e Distrito Federal, por meio de suas autarquias, fundações e empresas, e pela União, por meio de autarquias, fundações e empresas não-financeiras, terão que ser usadas prioritariamente para pagar dívidas contraídas dentro do país.
-Antes, se a empresa, fundação ou autarquia tivesse classificação de risco (rating) igual ou superior à do país, poderia usar os recursos
livremente. A maioria usava o dinheiro para fazer novos investimentos. Além disso, as captações de nível federal não estavam sujeitas às regras do Banco Central até então. Apenas as estaduais e municipais eram submetidas ao BC. Isso quer dizer que empresas como a Petrobrás passam, a partir de agora, a seguir as normas do BC cada vez que desejem buscar recursos de investidores internacionais.
Monsanto/Cargill





