-O gerente geral de Desenvolvimento Sustentável da Cia. Vale do Rio Doce, Maurício José Lima Reis, falará em Londrina no dia 2, às 19h30, sobre ‘‘Gestão ambiental como vantagem competitiva para a agroindústria brasileira’’. A palestra que será na sede da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina (rua Kozen Igue, 345, Jardim Granville) se destina a empresários, autoridades públicas e profissionais da agronomia, economia e administração de empresas. É uma promoção da Associação, com apoio de outras instituições. O objetivo é discutir ‘‘mecanismos de informação ao mercado sobre qualidade ambiental dos produtos agrícolas como agentes de competitividade’’.
-O professor Maurício Lima Reis disse ontem à Folha que a questão ambiental na indústria não é mais um apelo ecológico: é econômico. O nível de conscientização do consumidor com relação ao impacto ambiental cresceu de tal forma que está nítida a opção preferencial por produtos ecologicamente corretos.
-Maurício citou alguns exemplos, um deles o mercado de celulose. Nos países mais desenvolvidos já não existe mais mercado para celulose branqueada com cloro. O consumidor assumiu que esse tipo de tratamento prejudica o ambiente. Embora não se trate de uma verdade absoluta, é o que está permeando as negociações. E quem compra usa este argumento na hora de fechar preços.
-No setor dos agrotóxicos, a questão ambiental exerce influência em dois campos. As fábricas já podem dispor de diagnóstico sobre a postura da dona de casa ao comprar produto para combater insetos domésticos: a preferência é para os inseticidas cujo princípio ativo é formulado à base de produtos naturais. Não deixam de ser inseticidas, porém a base química utilizada é de menor impacto. Portanto, para o seu manuseio e uso direto, o consumidor evita o químico.
-No outro campo - no contato indireto com o agrotóxicos, via alimentos - também prevalece a preocupação ambiental: a preferência é por alimentos que declarem menor uso de agroquímicos. Se a informação do rótulo corresponde ou não à realidade, é um problema do Procom. A premissa é que a informação está correta e, portanto, o alimento (frutas, legumes e verduras) obtido através do manejo alternativo, sem agrotóxicos, é o preferido.
-O gerente de desenvolvimento sustentável da Cia. Vale do Rio Doce dá outro exemplo, mais recente. A salsicha sem corantes químicos que a Sadia está lançando no Rio de Janeiro já faz o maior sucesso. Este é o mais novo dos indicadores, segundo Maurício.
-Ele tem clareza que ‘‘o que vai alavancar o marketing daqui para frente é a variável ambiente’’. O consumidor ‘‘naturalista’’ ou ‘‘ecológico’’ (termos, que aliás, não são muito pertinentes) já não constitui nichos de mercado. Ele se faz presente em número cada vez maior. E vai dar o tom do mercado. Quem quiser vencer vai ter que conferir um peso maior ao indicador ambiental. E fazer bom uso dessa qualidade.


ITR/prazo

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