Oswaldo Petrin
-O analista de mercado, Flávio França, relaciona todas as variáveis que vão exercer qualquer tipo de influência sobre os preços da soja, a partir de agora, e projeta números otimistas, acima da média histórica. De fato, há mais razões para crescimento dos preços do que para estabilidade ou declineo. Ontem mesmo, o preço nacional da soja, calculado pela Fipe/BM&F, ficou em R$ 15,20/saca, alta de 1,06%. Em dólar, ficou em US$ 14,53/saca, alta de 1,04%. O preço refere-se à média geométrica ponderada do valor cobrado por 74 atacadistas.
-Os produtores de soja não têm mesmo do que reclamar. Os preços atuais de R$ 15,00 por saca estão 15% acima da média histórica. No final da safra, em abril e maio, devem ficar de R$ 12,00 a R$ 13,50. Começa a chegar ao mercado parte da safra de Goiás e Mato Grosso. Esses produtores vão receber bons preços, já que as indústrias estão retomando as atividades.
-No caso do milho, o que há não é diagnóstico pessimista, mas um preço que ainda incorpara resíduos do ano passado, a melhor comercialização dos últimos 12 anos. E um preço mínimo considerado bom. As medidas anunciadas, dias atrás, para a comercialização deixou o produtor mais tranquilo. Portanto, não há razão para pessimismo.
-A previsão é de recuperação dos preços, principalmente para o milho, que, em fevereiro, deve registrar os menores patamares do ano. Mas logo se recupera. A previsão para fevereiro é de que os produtores já consigam de R$ 6,20 R$ 6,30 por saca. Menos até. Nas vendas de lote pode chegar a R$ 6,80 a R$ 7,00. Em fevereiro de 94, a saca chegou a cair para US$ 4,88 para o produtor. Quem planta bons híbridos e colhe produtividade não vai reclamar. E vem aí o que vai substituir os empréstimos de AGF ou EGF.
-Os produtores devem se preparar para os custos de transporte neste ano.
Enquanto em 96 o custo médio foi de R$ 0,30 por saca, em 97 deve ficar
entre R$ 0,40 e R$ 0,45. O reajuste médio deve ficar em 50%. Os números são altos porque só os combustíveis subiram 20% - como observa a Agência Folha - desde a última safra. Além disso, a coincidência das safras em vários
Estados vai exigir grande demanda de caminhões.
-O governo aposta tudo na exportação de soja para amenizar o déficit. Números já divulgados pelo Banco Central mostraram que o déficit da balança comercial em 1996 ficou na casa de US$ 5,5 bilhões. Analistas do mercado financeiro projetam déficit de US$ 9 bilhões para 97. Ainda em 96, deixaram o País aproximadamente US$ 15 bilhões pelo câmbio flutuante. O déficit comercial, na verdade, ficou em torno de US$ 9,5 bilhões no ano passado. Além disso, turistas brasileiros deixaram, em 96, perto de US$ 4 bilhões no exterior. Para este ano, a projeção de gastos de turistas chega a US$ 6 bilhões. O governo vai adotar medidas para retenção do consumo. Uma delas são as taxas de juros.
Milho FGV





