Oswaldo Petrin
-A agroindústria brasileira tem que aproveitar bem todas as oportunidades para melhorar sua performence comercial. Não pode se dar ao luxo de fazer reparos a este ou aquele projeto nesta direção. Ontem, por exemplo, surgiu a informação de que o País terá US$ 240 milhões (em quatro anos) para investir num projeto de competitividade dos produtos animais e vegetais com o objetivo de ampliar as exportações. Meta é passar dos atuais US$ 18,8 bilhões/ano para US$ 45 bilhões em 2002. O projeto será financiado pelo Banco Mundial, com contrapartida de 50% do governo.
-É um boa notícia. Mas estes recursos estão muito longe de contrapor o que se perde (em competitividade) com o câmbio supervalorizado, com a excessiva carga tributária e custo Brasil. O melhor incentivo seria o saneamento desses gargalos, principalmente o tributário e permitir a livre competição. Recursos criados através de projetos como o anunciado ontem acabam desobrigando o governo das medidas mais técnicas e convencionais.
-Ao anunciar ontem o projeto, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ênio Marques, e o chefe da missão do Banco Mundial que veio ao Brasil negociar o empréstimo, Luiz Coirolo, destacaram a importância do acordo para que o País possa acabar com as doenças de animais e plantas e vencer as barreiras que impedem o aumento das exportações, como no caso das carnes, por exemplo. As barreiras que os países vão enfrentar no futuro são sanitárias, e o objetivo básico do projeto é eliminá-las para ampliar as exportações, afirmou Coirolo.
-Barreira sanitária. Esta é uma ameaça permanente aos produtos brasileiros. Mas não parece preocupar muito o governo. Por exemplo, qual é a explicação para se protelar tanto a portaria 304, que trata da desossa da carne? Por que o Ministério da Agricultura não se empenha, digamos no controle do abate clandestino de gado? Sabendo que a desossa é uma prática saudável para o mercado interno e de boa repercussão externa, por que não a coloca em prática?.
-É verdade que a carne exportada é bem atendida pelo SIF, mas está se tratando de projeto global, de aumento das competitividade. Em mercado globalizado, a carne de fora - livre dos riscos de abate clandestino - tem maior força competitiva do que o produto local. Então não dá mais para privilegiar com uma boa sanidade o produto exportado enquanto o consumo interno se abastece de abates de altos risco.
-Não se deve tirar o mérito do projeto em questão, mas há ações mais básicas que o Ministério da Agricultura poderia implementar. O abate clandestino, é uma ameaça à saúde do consumidor interno. Mas é, sobretudo, uma vergonha perante o Banco Mundial que está nos fornecendo recursos. Aliás, a contrapartida do Brasil deveria ser em higiene e sanidade.
Gallus





