-A preocupação do ministro da Agricultura e seus assessores, ontem em Belo Horizonte foi mostrar que as chuvas não prejudicaram a produção e que, portanto, o abastecimento estará garantido. Na verdade, o que existe é muita especulação no segmento de hortigranjeiros. O ministro, Arlindo Porto, disse que não houve mudança na expectativa do governo para a safra de grãos deste ano após as chuvas e enchentes que atingiram as regiões sul e sudeste do país. ‘‘Tivemos, em algumas regiões do país, uma queda na produção de feijão,
mas ainda não tivemos condições de estimá-la, porque o Paraná, que foi o Estado mais atingido, não conseguiu definir o percentual da quebra.’’ Segundo ele, os produtores paranaenses que tiveram a sua safra perdida em função das chuvas, desde que o município tenha declarado estado de calamidade, terão seus financiamentos prorrogados. Ele não definiu por quanto tempo será a prorrogação.
-O ministro afirmou, porém, que isto não vai afetar o total da colheita de grãos, cuja expectativa é de 77,5 milhões de toneladas, com um aumento de 5,4% em relação à safra passada. O crescimento maior, 10,8%, deve ser registrado na colheita de soja, cuja safra pode chegar a 25,7 milhões de toneladas, aumento de 9% em relação a safra anterior.
-‘‘A safra será suficiente para atender à demanda, exceto no caso do milho. Mesmo com um aumento de 6% previsto na produção deste ano em relação ao
anterior, será necessária a importação de um milhão de toneladas de
milho’’, disse o ministro.
-Porto disse ainda que a União fará o investimento de R$ 1,2 milhão em um programa para reduzir em 50% as perdas na colheita deste ano de milho e
soja em oito Estados da região centro-sul.
-As perdas são calculadas em 6,7% da produção de soja e 17,2% no milho e
podem chegar, este ano, a 6,6 milhões de toneladas de grãos, ou R$ 960
milhões.
-O ministro anunciou ainda modificações para o plano de comercialização da safra de milho. Entre elas, está a flexibilização do vencimento para os
produtores que quiserem pagar os empréstimos com produtos. Segundo Porto, os produtores que tiverem esta opção poderão saldar os débitos a partir de abril, em vez de esperar até outubro, como determinam os contratos. Inofrmações da ‘‘Agência Folha’’, através do repórter Carlos Henrique Santiago.
-Com isso, o governo pretende recuperar os estoques de milho. Os estoques são utilizado para evitar uma queda ou aumento nos preços dos produtos. A partir de fevereiro, os bancos estarão autorizados a fazer EGF (Empréstimo do Governo Federal) para as indústrias comprarem milho dos produtores, com prazo de até seis meses e juros de até 12%. Além disso, o governo oferecerá aos produtores a opção de vender a saca de 60kg de milho para o governo ao preço mínimo ou negociar esta opção com bancos e outros compradores.

Governo quer
evitar especulações
em cima das
perdas por chuvas

Milho BM&F

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