-O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, voltou a alertar ontem sobre os riscos de perdas generalizadas nos preços agrícolas deste ano, com reflexos para toda a economia. ‘‘Se o Governo não intervir na comercialização da safra deste ano, prenuncia-se um desastre semelhante ao de 1995, quando os produtores perderam 25% de sua renda.
-Sempre embasado em números, o líder rural mostrou o risco de cada produto, as chances de sustentação de preços e as saídas para cada caso. E lembrou que ‘‘quando se exige a intervenção do Governo no mercado não é lamúria de produtor saudoso do velho paternalismo do Estado, que não existe mais e que nunca mais voltará. É preciso, de início, ter consciência da imperfeição do mercado, num momento em que milhões de produtores rurais estão ofertando os mesmos produtos a um número reduzido de grandes compradores. Desta forma, estes compradores, que ainda podem contar com a oferta externa a preços subsidiados, estão a cavaleiro para ditar preços’’.
-Para Meneguette, o governo deve ser o agente do equilíbrio. Assim é nos Estados Unidos, Canadá, na Europa e no Japão. ‘‘É a ação do Governo que corrige a imperfeição do mercado e transmite uma certa igualdade de condições entre o poder da oferta e da demanda, sem a qual os produtores são vítimas da depreciação de seus produtos, obrigados a vendê-los na bacia das almas, por qualquer preço’’.
-Isto foi o que ocorreu em 1995 - prossegue Meneguette - quando o Governo não cumpriu a lei que o obriga a sustentar os preços mínimos, intervindo no mercado, comprando ou fornecendo os recursos para financiar os produtores. O que se viu foi um desastre - lembra - do qual até hoje os produtores não puderam se recuperar.
-‘‘Movidos mais pelos indicativos dos preços internacionais, os produtores apostaram nesta safra, estimada em 78 milhões de toneladas. Mas, se levar em conta a substituição de uma parcela da área de milho pela cultura da soja, de menos produtividade, a safra 96/97 é igual àquela de 1995.
-Vários problemas apontados naquele desastre da ‘‘âncora verde’’ persistem sem solução, denuncia Meneguette: a defasagem cambial continua penalizando exportações e facilitando importações; o mundo desenvolvido continua praticando exportações subsidiadas sem que as autoridades brasileiras se utilizem de instrumentos legais para a imposição de taxas compensatórias; os financiamentos externos, de até 360 dias a juros baratos, dão às importações uma vantagem extraordinária, afirma Meneguette.
-No artigo, Meneguette convida os agricultores para a teleconferência de amanhã, com o secretário de Política Agrícola, Guilherme Dias, e o diretor de Crédito Rural do BB, Ricardo Conceição. A teleconferência começa às 8h30.

Meneguette
quer evitar o
‘‘desastre’’
de 1995


Convite/BCML

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