Oswaldo Petrin
Oswaldo Petrin
A pressão do arroz
-A taxa de inflação recuou para 0,57% na primeira quadrissemana de maio. Em abril, os preços tinham subido 0,62%. A redução da taxa ocorreu porque os alimentos passaram a pressionar menos (0,22%), apesar da continuidade do aumento do feijão que subiu 28,83% nos últimos 30 dias até o final da primeira
semana deste mês, segundo a Fipe. A pressão menor dos alimentos se deveu aos produtos in natura, que caíram 2,79%.
-Este panorama começa a mudar a partir desta semana. E não é pelo preço do feijão, objeto de extrema especulação na chamada Bolsinha de SP. O vilão vai ser o arroz. Ontem, pelo menos três cerealistas de Maringá e Apucarana, disseram que ninguém deve subestimar o efeito do arroz nos índices aferidores de preços. Está todo mundo de olho no feijão, mas o problema vem do Rio Grande do Sul. Carretas já voltaram batendo carroceria - disseram - para não bancar o giro alto que pode não ter repasse para o varejo.
-Já que o governo tanto preza o fator cesta básica, no controle da inflação, eis aí mais um ingrediente para aumentar o inferno astral de FHC nestes dias.
-Detalhe: os cerealistas paranaenses chamam a atenção para o fato de que a mercadoria existe. Este é o xis da questão: ela pode reaparecer a qualquer momento, quando a carga ainda estiver na estrada. É assim que aparecem os gargalos no abastecimento: uns só entram para especular; outros, os profissionais sérios, saem do mercado discretamente. Palavra de quem é do ramo.
-O que está intrigando os técnicos do governo é que o preço do arroz subiu no mercado doméstico em pleno período de colheita. O preço subiu porque o produtor nacional resolveu compatibilizar o preço do arroz nacional com o preço de colocação do arroz importado dos EUA. O preço da saca de 50 quilos de arroz (em casca) norte-americano colocado no Brasil é de R$ 18, enquanto o preço no mercado interno é de R$ 16/saca.
-O Governo defende a redução das alíquotas de importação de arroz, fixadas em 13% para o arroz em casca e em 21% para o beneficiado. Pode reduzir unilateralmente a alíquota do arroz beneficiado, pois a Tarifa Externa Comum do Mercosul é de 15% - os outros 6 pontos percentuais foram adicionados pelo governo brasileiro.
-Porém, para mexer na alíquota do arroz em casca, o Brasil precisaria negociar com os parceiros do Mercosul - Argentina, Uruguai e Paraguai -, explicaram fontes do Ministério da Agricultura à Agência Estado. A necessidade de importação brasileira para este ano é de 2 milhões de toneladas. A Argentina e o Uruguai têm condições de exportar para o Brasil no máximo 1,1 milhão de t. O restante - cerca de 900 mil t - terá de ser adquirido em terceiros mercados.Zootecnia
No Dia do Zootecnista, hoje, a categoria aguarda a criação do Conselho Federal de Zootecnia (CFZ). Os zootecnistas querem ser fiscais da sua profissão e negociam a saída do Conselho Federal de Medicina Veterinária.
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O presidente da Associação Brasileira de Zootecnistas, Marcos Traad, disse ontem à repórter Vânia Casado, que a entidade está disposta a recorrer à mecanismos legais, para a criação de Conselho próprio.
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O Paraná tem quatro faculdades de Zootecnia: uma pública, na Universidade Estadual de Maringá, e outras três particulares, em Curitiba, na PUC, nas Integradas Espírita e na Universidade Tuiuti.
Juros
Quem apostar na queda dos juros, pode errar. Investidores do mercado futuro de juros da BM&F acham que as taxas tendem a crescer. Eles sabem. Ontem, os contratos futuros projetavam taxa de 1,68%, para este mês e 1,79% para junho.
Especulação
O pessoal da Bolsinha de SP, templo da especulação do atacado cerealista, tinha mais um motivo, ontem, para forçar a alta do produto: chuva em Santa Catarina interrompeu a colheita. Mas o preço vai desabar a qualquer momento.





